Crédito rural para áreas do Brasil com alertas de desmatamento soma R$ 92,4 bilhões

Levantamento aponta 831 mil operações em imóveis com sobreposição a áreas ambientalmente sensíveis entre 2019 e 2025.

O crédito rural público destinado a propriedades com alertas de desmatamento ou sobreposição a áreas ambientalmente sensíveis somou R$ 92,4 bilhões em 831 mil operações entre 2019 e 2025, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (16) pelo MapBiomas. Os dados fazem parte da nova edição do Monitor do Crédito Rural, plataforma que cruza informações do Banco Central com bases geoespaciais da iniciativa.

O estudo identificou financiamentos concedidos a imóveis rurais com sobreposição a alertas de desmatamento e degradação da vegetação nativa, embargos ambientais, terras indígenas, unidades de conservação, quilombos e florestas públicas do tipo B.

cerrado desmatado
Crédito rural para áreas com alertas de desmatamento somou R$ 92 bilhões. – Foto: Ibama

Segundo o MapBiomas, a nova versão da plataforma ampliou significativamente o número de operações analisadas ao incorporar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) informado no Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central. Antes, o monitor localizava apenas operações que informavam as áreas financiadas (glebas).

“A quantidade de operações analisadas pelo monitor mais que duplicou na nova versão. Estão sendo monitoradas todas as operações do Sicor que têm sua localização disponível publicamente, seja pela gleba ou pelo CAR. Isso permite que tenhamos uma melhor visão de para onde está sendo fornecido esse crédito e o que essas propriedades sobrepõem, trazendo mais transparência ao crédito rural brasileiro”, afirmou o pesquisador do MapBiomas, Paulo Teixeira.

O levantamento mostra que, embora mais de 400 instituições financeiras concedam crédito rural no país, cinco delas concentram 60% de todo o volume financiado: Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia, Sicredi e Banrisul.

Entre as operações que apresentam sobreposição com áreas ambientalmente sensíveis, 63% foram concedidas pelo Banco do Nordeste. Em volume de recursos, o Banco do Brasil concentrou 33% do total financiado nessas condições.

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Levantamento mostrou que crédito rural para áreas com alertas de desmatamento somou R$ 92 bilhões. Foto: Alberto Cesar Araújo/Amazônia Real.

O Piauí lidera em número de operações com algum tipo de sobreposição socioambiental, com 336 mil contratos entre 2019 e 2025. Já os maiores volumes financeiros foram registrados em Tocantins (R$ 13,9 bilhões), Mato Grosso (R$ 13,3 bilhões) e Rondônia (R$ 13 bilhões).

O estudo também mostra que 68% das operações de crédito rural público tiveram como finalidade investimentos, enquanto 58% estavam ligadas à pecuária. Além disso, 23% das operações foram destinadas à aquisição de animais e 27% tiveram bovinos como principal produto financiado.

O Monitor do Crédito Rural utiliza dados públicos do Sicor, do Banco Central, cruzados com informações produzidas pelo MapBiomas, como alertas de desmatamento, embargos ambientais e áreas protegidas. A plataforma é atualizada mensalmente e busca ampliar a transparência sobre a destinação do crédito rural no país.

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