Crise hídrica! Cuiabá pode ficar sem abastecimento de água?
Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico aprovou declaração de situação crítica
No início da semana, a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) aprovou a declaração de situação crítica de escassez quantitativa dos recursos hídricos na região hidrográfica do Paraguai, até 31 de outubro.

Para o doutor em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental e professor da UFMT (Universidade Federal e Mato Grosso), Ibraim Fantim, a decisão é importante para que o poder público, se antecipe ao impacto e promova ações de mitigação e enfrentamento a situação.
O que motivou a decisão?
A decisão foi tomada devido à escassez hídrica relevante em comparação com períodos anteriores na região hidrográfica do Paraguai, embasado por manifestações de entidades ligadas ao tema, como o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) e o SGB (Serviço Geológico do Brasil).
Conforme a instituição, o nível d’água do Rio Paraguai em abril deste ano atingiu o pior valor histórico observado em algumas estações de monitoramento ao longo de sua calha principal, sendo que o cenário de escassez ocorre desde o início do ano na região hidrográfica do Paraguai.
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Além disso, a situação desfavorável nessa região pode resultar em impactos aos usos da água, sobretudo em captações para abastecimento de água – especialmente em Cuiabá (MT) e Corumbá (MS).
Situação em Cuiabá
Ibraim Fantim diz que a situação gera atenção, mas explica que a bacia do Rio Cuiabá tem uma segurança hídrica maior.
“Nós temos a barragem de Manso, que é um grande reservatório construído na parte alta, que tem essa capacidade de acumular água. E o que é indicado para este ano é que o Manso tem essa capacidade de fornecer água. Apesar de ser um ano crítico, Manso tende a regularizar e manter a vazão do rio mesmo no período estiagem”.
Prorrogação
Se a situação de escassez hídrica persistir, a declaração pode ser prorrogada após 31 de outubro. Mas, se melhorar as condições hidrológicas, que levem à elevação dos níveis d’água da região, a declaração também pode ser suspensa.
A ANA possui a competência legal de declarar a situação crítica de escassez quantitativa ou qualitativa de recursos hídricos nos corpos hídricos que impactem o atendimento aos usos múltiplos em rios de domínio da União (interestaduais, transfronteiriços e reservatórios federais), por prazo determinado, com base em estudos e dados de monitoramento.
Região hidrográfica Paraguai
A região hidrográfica Paraguai ocupa 4,3% do território brasileiro, abrangendo parte de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, o que inclui a maior parte do Pantanal-mato-grossense, a maior área úmida contínua do planeta.

A densidade demográfica da região é cerca de 3,5 vezes menor que a média nacional. A bacia do rio Paraguai também se estende por áreas da Bolívia e do Paraguai.
A bacia do Alto Paraguai está dividida em duas grandes bacias ou unidades hidrográficas: o Pantanal (cerca de 36% da bacia) e o Planalto Paraguai.
Dentre seus principais cursos d’água, destacam-se os rios Paraguai, Taquari, São Lourenço, Cuiabá, Itiquira, Miranda, Aquidauana, Negro, Apa e Jauru.
O Rio Paraguai nasce na Serra dos Parecis, em Mato Grosso. Desde a nascente até a foz, na Argentina, o rio percorre 2.582km, dos quais cerca de 1.300km dentro do Brasil, 48km fazendo fronteira com a Bolívia e 332km na fronteira com o Paraguai.
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