Dezenas de peixes aparecem mortos no Rio Cuiabá após chuva e especialistas explicam o que pode ter acontecido
Especialistas apontam que mudanças na temperatura, baixa oxigenação, vazão reduzida e alterações na qualidade da água podem estar relacionadas à mortandade.
Um vídeo gravado pelo pescador Benedito Ribeiro e publicado nas redes sociais nessa terça-feira (1º) mostra dezenas de peixes mortos boiando no Rio Cuiabá, em Santo Antônio de Leverger (MT). O registro foi feito após as fortes chuvas que atingiram a Baixada Cuiabana e levaram grande quantidade de lixo para o rio.
Nas imagens, Benedito relata ter encontrado pelo menos 30 peixes mortos ao longo das margens e levanta a possibilidade de que alterações na qualidade da água tenham provocado a mortandade. Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indicam que somente na capital, em poucos minutos de chuva, foram registrados 20,2 milímetros.
O pescador cita, entre as hipóteses, redução de oxigênio na água e eventual presença de produtos químicos. No entanto, especialistas ouvidos pelo Primeira Página afirmam que não é possível determinar a causa sem análise da água, dos peixes e das condições ambientais do trecho afetado.
Especialistas apontam diferentes hipóteses
O biólogo Hugmar Pains, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), explica que a chuva pode alterar de forma brusca as condições do rio.
Segundo ele, o aumento do volume e a movimentação da água podem revolver sedimentos acumulados no fundo, matéria orgânica e outros materiais, além de provocar mudanças de temperatura.
“Possivelmente, com a chuva, ocorre a movimentação do que havia de depósito de sedimentos, sujeiras e material orgânico. A diferença de temperatura entre a água do rio e a água da chuva também pode alterar a qualidade da água”, explicou.
Para Hugmar, a confirmação da causa dependeria de coleta e análise da água, além de exames nos peixes encontrados mortos.

O coordenador do Centro de Pesquisas em Coleções Zoológicas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Alexandre Cunha Ribeiro, também afirma que existem diversas causas possíveis para uma mortandade em massa.
Entre elas estão contaminação da água, mudanças bruscas de temperatura, baixa disponibilidade de oxigênio, proliferação de algas e alterações provocadas por atividades humanas. “É muito difícil dizer qual a causa provável desta mortalidade sem uma análise da qualidade da água ou até mesmo uma perícia ambiental no local”, afirmou.
Segundo o especialista, a redução da vazão do rio também pode agravar a situação. “Sem água e com muito calor pode haver um efeito dominó na qualidade da água”, disse.
Pescador relata preocupação com a pesca
Em outro vídeo, publicado nesta sexta-feira (4), Benedito, que é proprietário de um pesqueiro na região, afirmou que ficou preocupado com o impacto da situação sobre a pesca.
“Nasci e cresci na beira do rio, nunca vi morrer peixe como esses não. E tem mais uma coisa, o rio enchia, passava uma enxurrada de água e dois, três dias depois, estava pegando peixe de volta. Agora como está aqui, você não pega nada… Ficou liso como se fosse um deserto”, relatou.
Ele teme que os pescadores da região enfrentem dificuldades durante os próximos meses caso as condições da água não se normalizem.
Ao Primeira Página, a Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb) informou que uma balsa ecológica seria enviada para realizar a limpeza no curso do rio.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) informou que a gestão dos resíduos sólidos urbanos e a limpeza dos sistemas de drenagem em Cuiabá são atribuições da Prefeitura de Cuiabá.
Até o momento, não há laudo ou análise técnica que determine o que provocou a morte dos peixes.
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