Dezenove espécies ameaçadas de extinção são registradas em ferrovia entre Rondonópolis e Dom Aquino
Além das espécies ameaçadas, monitoramento registrou 764 animais silvestres e acompanha estruturas criadas para garantir a circulação segura da fauna.
Um monitoramento ambiental registrou dezenove espécies ameaçadas de extinção nas áreas próximas à primeira fase da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo, entre Rondonópolis e Dom Aquino. O estudo realizado ao longo dos 162 quilômetros do empreendimento identificou, ao todo, 764 espécies da fauna silvestre, incluindo animais ameaçados como anta (Tapirus terrestris), lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) e tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla).

Os dados foram divulgados pela concessionária Rumo durante a Semana do Meio Ambiente e fazem parte dos programas ambientais estabelecidas como condicionantes para o licenciamento pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) no Plano Básico Ambiental (PBA). Somente em 2025, foram registradas mais de 24 mil ocorrências de fauna. Entre 2023 e 2025, o monitoramento contabilizou mais de 65 mil registros de animais silvestres.

O levantamento é realizado em áreas próximas aos trilhos e permite acompanhar a presença e o comportamento das espécies ao longo do trecho ferroviário, além de subsidiar medidas voltadas à redução dos impactos ambientais.
Fauna da ferrovia inclui espécies ameaçadas de extinção
Entre as espécies identificadas estão animais classificados como ameaçados de extinção, reforçando a importância ambiental das áreas atravessadas pela ferrovia. O monitoramento contempla mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes presentes na região do Cerrado mato-grossense.

Durante a implantação da obra, mais de 2,8 mil animais silvestres foram resgatados. O trabalho também incluiu o manejo de 13 colmeias de abelhas nativas e o monitoramento de 30 ninhos de aves encontrados nas áreas de intervenção.

As ações integram quatro programas ambientais voltados à proteção da fauna, desenvolvidos durante a construção da primeira fase da ferrovia.
Ferrovia conta com corredores ecológicos para circulação da fauna
Além do monitoramento das espécies, a ferrovia foi projetada para preservar a conectividade entre os habitats naturais existentes ao longo do traçado. Para isso, o empreendimento conta com corredores ecológicos e estruturas destinadas à travessia segura dos animais.

Ao todo, 32 passagens inferiores para fauna já são monitoradas ao longo do trecho. Outras cinco passagens superiores voltadas aos animais arborícolas estão em fase de implantação.
Também está em fase final de construção um viaduto vegetado, estrutura planejada para permitir a travessia dos animais sobre os trilhos e contribuir para a manutenção dos corredores ecológicos. O projeto prevê o plantio de espécies nativas para integrar a passagem ao ambiente natural.

As medidas buscam reduzir o risco de atropelamentos e evitar o isolamento de populações de animais silvestres, garantindo a continuidade do fluxo natural da fauna entre áreas fragmentadas pela ferrovia.
Flora da ferrovia recebe ações de recuperação ambiental
As iniciativas ambientais também abrangem a conservação da vegetação nativa do Cerrado. Estudos realizados durante a implantação identificaram espécies vegetais com maior importância ecológica para a fauna local, orientando ações de recuperação ambiental.

Com base nesses levantamentos, aproximadamente 170 mil mudas de espécies nativas foram plantadas em áreas relacionadas ao empreendimento ou em outras regiões do estado.

Além disso, mais de 140 espécies vegetais foram resgatadas e transplantadas para diferentes áreas de Mato Grosso. A concessionária também finaliza a implantação de um viveiro sustentável no Terminal de Rondonópolis, com capacidade para produzir cerca de cinco mil mudas nativas por ano.
A estrutura será utilizada em ações de recuperação de áreas degradadas, produção de mudas e atividades de educação ambiental.
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