Do alto: chuva em setembro surpreende maior planície alagável do planeta em MT

Chuva foi registrada na RPPN Sesc Pantanal, em Barão de Melgaço (MT), onde 101 mil dos 108 mil hectares foram atingidos por incêndios no ano de 2020.

Se tem uma coisa capaz de arrancar sorrisos do mato-grossense é a chuva, ou melhor, a “tchuva”. E se for no Pantanal, melhor ainda. Em um dos meses mais secos do ano, a chegada das águas ganhou um registro especial nesta quinta-feira (10), na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sesc Pantanal, em Barão de Melgaço (MT).

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Registro compartilhado pelo Sesc Pantanal mostra pancadas de chuva em cenário diferente no horizonte do Pantanal durante o mês tradicionalmente marcado pela seca. – Fotos: Sesc Pantanal

Compartilhada pelo perfil do Sesc Pantanal no final da tarde, a imagem foi feita de um ponto aéreo e mostra pancadas de chuva em diferentes trechos da mata, formando cortinas de água ao longo do horizonte em uma cena de alívio e refresco.

A cena pode parecer comum para quem está acostumado com os temporais, mas no Pantanal a chuva de setembro tem um peso diferente. A água é fundamental para a manutenção da vida no bioma e chega como um alívio especialmente importante para uma região que já enfrentou temporadas severas de incêndios.

Veja vídeo do momento da chuva.

A chuva chegou em diferentes pontos da RPPN Sesc Pantanal nesta quinta-feira (10). – Vídeo: Sesc Pantanal

Memória dos grandes incêndios

A comemoração também carrega a memória do pior incêndio da história do Pantanal, registrado em 2020. Naquele ano, mais de 4,3 milhões de hectares foram atingidos pelo fogo, o equivalente a 26% de todo o bioma.

Na RPPN Sesc Pantanal, o impacto foi ainda maior. Dos 108 mil hectares protegidos pela reserva, cerca de 101 mil foram atingidos pelo fogo em diferentes intensidades em 2020. O número representa aproximadamente 93% da área da reserva.

Nesse cenário, o registro das pancadas de chuva vai além de uma paisagem bonita vista do alto. É um retrato de um fenômeno essencial para a manutenção do Pantanal e motivo de celebração para quem vive e trabalha pela conservação do bioma.

Uma reserva de 108 mil hectares

Criada em 1997, após a ECO-92, a RPPN Sesc Pantanal protege 108 mil hectares e é considerada a maior reserva privada do Brasil. Localizada em Barão de Melgaço (MT), a RPPN Sesc Pantanal é um território protegido pelo Polo Socioambiental Sesc Pantanal, por iniciativa do Sistema CNC-Sesc-Senac.

A área representa uma parcela importante da proteção do Pantanal, bioma em que apenas cerca de 5% está protegido por unidades de conservação. Segundo os dados apresentados pelo Sesc, aproximadamente 1% dessa área corresponde à própria RPPN.

A reserva é reconhecida internacionalmente como Sítio Ramsar, classificação dada a áreas úmidas de importância mundial, e também é Zona Núcleo da Reserva da Biosfera do Pantanal, título conferido pela Unesco.

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A RPPN Sesc Pantanal é referência em conservação, pesquisa, monitoramento ambiental e combate a incêndios. – Foto: Reprodução

A RPPN abriga uma grande variedade de espécies da fauna e da flora pantaneiras. Entre elas estão 25 espécies ameaçadas de extinção, como a onça-pintada, a anta e o lobo-guará.

Além de proteger animais e plantas, a reserva presta serviços ambientais importantes, como purificação da água, controle de inundações, reposição das águas subterrâneas, controle do fluxo de sedimentos e nutrientes do solo e conservação da biodiversidade.

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