Estudo revela onde o hidrogênio verde pode avançar no Brasil

Levantamento identifica áreas estratégicas para produção e consumo no país e aponta desafio de infraestrutura.

Um estudo internacional apontou que o Brasil possui regiões com grande potencial para produzir e utilizar hidrogênio verde, considerado uma das principais alternativas para reduzir a poluição da indústria.

Os dados foram publicados na revista International Journal of Hydrogen Energy, em artigo assinado por Celso da Silveira Cachola e Drielli Peyerl.

Estudo mapeia regiões com potencial para produção e uso de hidrogênio verde no Brasil - Foto: Getty Images.
Estudo mapeia regiões com potencial para produção e uso de hidrogênio verde no Brasil – Foto: Getty Images.

A pesquisa foi desenvolvida no Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), um dos Centros de Pesquisa Aplicada (CPAs) da FAPESP, sediado na Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Shell Brasil e com apoio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Polos estratégicos no país

O estudo identificou a formação de agrupamentos regionais, chamados de clusters, com alto potencial para produção e consumo de hidrogênio verde no Brasil.

Ao todo, foram mapeados sete polos de produção e dez de consumo industrial, distribuídos em diferentes regiões. Esses agrupamentos reúnem municípios com características semelhantes, como disponibilidade de energia renovável, infraestrutura e níveis de emissão.

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Mapa destaca áreas com maior potencial para formação de clusters de hidrogênio verde no Brasil – Foto: Celso da Silveira Cachola e Drielli Peyerl

Segundo os pesquisadores, a identificação desses polos pode orientar investimentos e o planejamento da cadeia do hidrogênio no país.

Nordeste lidera potencial de produção

De acordo com o levantamento, o Nordeste concentra o maior potencial para produção de hidrogênio verde, impulsionado principalmente pela forte presença de energia solar e eólica.

Já o consumo tende a se concentrar nas regiões Sul e Sudeste, onde estão os principais polos industriais e os maiores níveis de emissão.

Um dos principais desafios apontados é a distância entre as áreas de produção e os centros consumidores, o que reforça a necessidade de investimentos em infraestrutura logística, como gasodutos, portos e sistemas de transporte.

Alternativa para setores mais poluentes

Produzido a partir de fontes renováveis, o hidrogênio verde praticamente não gera emissão de gases de efeito estufa.

Ele é considerado uma alternativa estratégica para setores de difícil descarbonização, como a siderurgia, o refino de petróleo e a indústria química. Nesses casos, pode substituir combustíveis fósseis ou ser utilizado como matéria-prima em processos industriais.

Para reduzir custos e ampliar o uso, uma das estratégias apontadas é a criação de polos industriais, conhecidos como hubs de hidrogênio, onde a produção ocorre próxima às indústrias consumidoras.

Vantagem competitiva do Brasil

Para mapear o potencial do país, os pesquisadores analisaram dados de 5.569 municípios na produção e de 2.569 cidades no consumo industrial.

O estudo levou em consideração fatores como localização, proximidade de infraestrutura energética (rede elétrica, gasodutos e portos), níveis de emissão de CO₂, segurança hídrica, incidência solar e velocidade dos ventos.

As informações foram processadas com o uso de sistemas de informação geográfica (GIS) e técnicas de inteligência artificial, permitindo cruzar dados estatísticos e espaciais para identificar padrões e regiões estratégicas.

O levantamento destaca que o Brasil reúne condições favoráveis para avançar nesse mercado, principalmente pela ampla oferta de energia renovável.

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Mapa mostra áreas com maior potencial de consumo de hidrogênio verde na indústria no Brasil – Foto: Celso da Silveira Cachola e Drielli Peyerl

Matriz energética reforça potencial

Atualmente, cerca de metade da matriz energética brasileira é composta por fontes limpas — percentual bem acima da média global.

Mesmo assim, o petróleo e seus derivados ainda lideram, com 34,3% de participação, seguidos pela biomassa da cana-de-açúcar (18%), energia hidrelétrica (12,4%) e gás natural (12,2%).

No setor elétrico, o cenário é ainda mais positivo: mais de 80% da eletricidade do país vem de fontes renováveis.

Segundo o Plano Nacional de Energia 2050, o hidrogênio deve ganhar espaço nos próximos anos e pode contribuir para a redução das emissões, especialmente na indústria.

O artigo Mapping green hydrogen clusters in Brazil: A data-driven approach for industrial decarbonization pode ser acessado clicando aqui.

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