Excesso de nutrientes faz espécie invasora tomar represa e muda cenário drasticamente; imagens impressionam
Órgão ambiental alega que o problema é causado ppor diversos fatores e que a situação não é pontual
O que antes era um lago de águas abertas e responsável pelo turismo e sustento de ribeirinhos da região da Represa do Mimoso, em Ribas do Rio Pardo, em Mato Grosso do Sul, hoje se transformou em um verdadeiro “campo de futebol” tomado por uma espécie invasora de planta aquática. O cenário preocupa especialistas, devido ao impacto ambiental para o ecossistema.
As responsáveis pelo problema aquático são as alfaces-d’água, também chamadas de macrófitas. A espécie é comum em rios e reservatórios brasileiros, sendo capazes de filtrar a água e reduzir o processo de erosão. Além disso, servem de abrigo para peixes e outros animais.
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Quando em quantidade normal, o surgimento não causa impacto no meio ambiente. Porém, a situação é bastante diferente na Represa do Mimoso, que devido ao excesso de nutrientes, tem feito a planta aquática se proliferar em grande velocidade.
Além da vida aquática, o problema também atinge quem vive do turismo na região. É o caso do empresário Cláudio Deocleciano Correia, que vê com preocupação a situação no local.
“Ela está proliferando e vindo dos rios para cá e vai fechando. As outras áreas de lazer na beira do rio, que tem o pessoal que pega um peixinho para comer, não consegue pescar mais. E para baixo, quando a usina solta a macrófita […] ela afeta os pescadores para baixo. Ela vai descendo e onde tem uma varinha pescando, ela vai enroscando na varinha e vai tirando o pessoal de pesca. Ela está prejudicando bem a nossa região aqui”, disse.
Através de um drone é possível ter uma dimensão do problema. Do alto, o verde parece não ter fim. Devido à situação, não se vê mais barcos trafegando na água, uma vez que é impossível o transporte pelo leito da represa.
“Ela [a macrófita] é bem pesada. Não consegue navegar. Pega no motor e enrosca, não solta”, frisou Cláudio enquanto caminhava no lago tomado pela planta.
O reservatório possui 1,3 mil hectares e forma a Usina Hidrelétrica Mimoso. Dessa área, 25% já está tomada pela planta. A presença massiva da espécie causa um efeito em cadeia, uma vez que impede a entrada de luz nas águas mais profundas, modificando o ambiente de peixes e outros organismos.
A medida em que se acumulam, contribuem para que o reservatório fique cada vez mais raso.
“Interfere de qualquer forma, porque onde estiver, abaixo dela a iluminação não vai ocorrer. Se existisse ou existir algum tipo de planta embaixo, ela vai acabar perdendo, porque a fotossíntese é importante e os raios solares fazem isso. É possível que ali os peixes também não vão, porque a água vai estar com pouco oxigênio (2:26) e pouco oxigênio não permite que eles sobrevivam nesse ambiente”, explicou o biólogo.

A situação é causada pelo excesso de nutrientes, que alimentam as plantas e ajudam na proliferação desenfreada da espécie.
“São nutrientes que não deveriam estar ali, porque chegaram por algum tipo de contaminação que está tendo ao longo do rio ou dos córregos que o cercam, que abastecem aquela região. Então, essas macrófitas surgem em consequência disso. Elas surgem para filtrar, para limpar essa água”, pontuou o especialista.
E de quem é a responsabilidade?
Procurada pela reportagem, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) afirmou que tem conhecimento da situação e que, inclusive, já realizou fiscalização na área. Na vistoria, foram coletadas águas em diversos trechos, que foram analisadas em laboratório.
No relatório, especialistas afirmam que o acúmulo excessivo das macrófitas no reservatório se dá por múltiplos fatores. Entre os responsáveis estão a empresa Suzano, a estação de tratamento de esgoto de Ribas do Rio Pardo e a própria barragem da Usina Mimoso, que reduz a força da água.
Para o órgão fiscalizador, o problema não é pontual nem decorrente de uma única atividade. O excesso de nutrientes, como fósforo e nitrogênio, estariam vindo de fontes existentes na bacia, como os resíduos líquidos gerados pela cidade e indústrias da região, além de atividades agropecuárias.
Para sanar o problema, a solução é que proprietários rurais adotem medidas de controle de erosões e assoreamento. Já o município, deverá atuar na drenagem urbana e na melhoria do tratamento dos efluentes domésticos. Os empreendimentos industria terão que promover ajustes necessários nos sistemas de tratamentos.
O responsável pelo reservatório deve executar ações de manejo das macrófitas e de gestão do lago. Todos os trabalhos serão acompanhados por equipes do Imasul.
À reportagem, a Usina Hidrelétrica Assis Chateaubriand, responsável pelo lago, afirmou que monitoramentos periódicos são feitos seguindo protocolos operacionais no plano básico ambiental. Além disso, frisou que a liberação de água pelo vertedouro ocorreu em outubro de 2025, assim que houve autorização.
A prefeitura de Ribas do Rio Pardo informou que está atuando desde o início da ocorrência e que não há, até agora, estudo que relacione diretamente o crescimento da cidade à proliferação das plantas. A Suzano afirma que opera dentro dos limites do licenciamento ambiental e que o fenômeno tem múltiplos fatores.
Já a Sanesul diz que todo o esgoto coletado no município é tratado e que não há elementos técnicos que liguem a estação de tratamento à proliferação das macrófitas. Não conseguimos contato com o sindicato de Ribas do Rio Pardo.
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