"Fogo bom": conheça técnica tradicional que ajuda a evitar grandes incêndios no Pantanal
Encontro entre especialistas busca debater as formas mais seguras da medida preventiva
A chegada do período da seca em Mato Grosso do Sul traz, também, o receio de incêndios florestais descontrolados, como os que ocorreram no Pantanal em 2020 e 2024, que devastou milhões de hectares de mata nativa.

Entre os dias 14 e 19 de junho ocorre o debate “Dia de Campo: Resgate do Uso Tradicional do Fogo no Pantanal”, em Corumbá, organizado pelo projeto Vidas e Vozes Kadiwéu. No evento, brigadistas indígenas e de comunidades tradicionais, produtores rurais, pesquisadores, bombeiros e gestores ambientais discutem como aplicar a medida como forma de prevenção.
“Na nossa queima, não fazemos nem aceiro. O brigadista precisa conhecer o território e ter certeza de que aquele fogo vai morrer na borda. A gente sabe quais são os lugares onde normalmente começam os grandes incêndios e trabalha antes para reduzir essa vegetação acumulada”, explicou o brigadista indígena kadiwéu Rubens Ferraz.
Ele é uma das pessoas que se prepara ao longo do ano, pensando em como e onde usar o fogo para evitar que ele se torne uma ameaça. A preparação ocorre em um momento em que o Pantanal convive com as consequências dos grandes incêndios de anos anteriores.
Em 2020, por exemplo, foram mais de 4 milhões de hectares destruídos pelos incêndios florestais que saíram do controle. Em 2024, dois milhões de área nativa também acabaram queimados pelas chamas.

O chamado fogo bom, conduzido sob condições climáticas adequadas, ajuda a reduzir o acúmulo de vegetação seca, assim como a intensidade de grandes incêndios. Dessa forma, são criadas áreas que dificultam a propagação das chamas.
“A política do fogo zero durou mais de 50 anos e tirou de muitas pessoas a capacidade que elas tinham de trabalhar e transformar seus territórios relacionados ao uso do fogo. Muito disso por conta do preconceito e da propagação de informações equivocadas”, afirmou Filipe.
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