Mais de 10 mil rãs são soltas para tentar salvar espécie da extinção
Espécie já foi abundante em áreas montanhosas da Califórnia, mas hoje está ameaçada de extinção; somente em 2026, mais de 3 mil rãs e girinos foram soltos.
Uma espécie de rã que já esteve entre os anfíbios mais comuns das regiões montanhosas da Califórnia, nos Estados Unidos, desapareceu de 92% de sua área histórica de distribuição. Para tentar recuperar as populações, mais de 10 mil rãs-de-pernas-amarelas-das-montanhas já foram reintroduzidas na natureza.
Somente em 2026, mais de 3 mil exemplares e girinos da espécie Rana muscosa foram soltos nas montanhas de San Bernardino e San Jacinto. A iniciativa de conservação é liderada pela San Diego Zoo Wildlife Alliance.

A situação atual contrasta com o passado da espécie. Segundo Tali Hammond, pesquisadora de ecologia da recuperação da organização, há relatos históricos de períodos em que esses animais eram tão numerosos que era difícil caminhar pelas margens dos lagos sem encontrar rãs pelo caminho.
A redução das populações começou a ser percebida principalmente entre o fim da década de 1960 e o início dos anos 1970.
Menos de 200 adultos na natureza
Existem duas espécies conhecidas como rãs-de-pernas-amarelas-das-montanhas: a Rana muscosa, conhecida como rã-de-pernas-amarelas-do-sul, e a Rana sierrae, encontrada na região da Serra Nevada.
As duas enfrentam risco de extinção. No caso da Rana muscosa, especialistas estimam que restem menos de 200 indivíduos adultos vivendo em seus habitats naturais.
Entre as ameaças enfrentadas pelos animais estão doenças, introdução de predadores, incêndios florestais e períodos de seca.
Diante do declínio, equipes de conservação trabalham há cerca de duas décadas para impedir o desaparecimento das populações remanescentes e devolver animais a áreas onde antes eram encontrados.
Milhares de rãs devolvidas à natureza

Um dos locais escolhidos para a reintrodução realizada neste ano foi Bluff Lake, na região de Big Bear, na Califórnia. Durante a operação, integrantes das equipes de conservação entraram na água levando recipientes transparentes com os animais. As rãs foram então estimuladas a deixar os recipientes e entrar no lago.
A soltura, no entanto, é apenas uma etapa do projeto. Depois de devolvidos à natureza, os animais continuam sendo acompanhados pelos pesquisadores.
As equipes monitoram a saúde, a sobrevivência e a capacidade das rãs de se estabelecerem nos ambientes onde foram reintroduzidas.
O programa também envolve reprodução sob cuidados humanos, preservação da diversidade genética, controle de doenças e pesquisas para aumentar as chances de sobrevivência das novas populações.
Projeto começou como operação de resgate
A iniciativa de 2026 faz parte de um trabalho desenvolvido há décadas para recuperar as rãs-de-pernas-amarelas-das-montanhas em áreas onde elas historicamente viviam.
O projeto começou como uma operação de resgate de animais ameaçados e, ao longo dos anos, transformou-se em um programa mais amplo de conservação.
Além de aumentar o número de rãs na natureza, o objetivo é formar populações capazes de se reproduzir e sobreviver a longo prazo, mantendo diversidade genética suficiente para ajudar na recuperação da espécie.
A expectativa é que as reintroduções contribuam para que as rãs voltem gradualmente a ocupar regiões montanhosas da Califórnia das quais praticamente desapareceram nas últimas décadas.
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