Mutirão reúne 120 voluntários para limpar 17 km do Rio Coxipó em Cuiabá
Sexta edição da mobilização percorreu trechos por terra e pela água; na ação anterior, mais de 6 toneladas de resíduos foram retiradas do rio.
Garrafas de vidro, bitucas de cigarro e sacolas plásticas estiveram entre os resíduos encontrados por cerca de 120 voluntários que se reuniram no sábado (19) para uma força-tarefa de limpeza do Rio Coxipó, em Cuiabá. O trabalho percorreu aproximadamente 17 quilômetros, com equipes atuando tanto pelas margens quanto dentro da água.
Esta foi a sexta edição da mobilização, realizada na véspera do Dia Mundial da Limpeza, celebrado em 20 de setembro. Enquanto parte dos participantes seguiu por terra, outros utilizaram caiaques, barcos e boias para alcançar resíduos espalhados pelo curso do rio.
A fisioterapeuta Tauane Ludila Gomes do Nascimento participou da ação e contou que, durante o percurso, encontrou principalmente garrafas de vidro, bitucas de cigarro e sacolas.
Além da retirada do lixo, a mobilização busca chamar a atenção para a conservação do Rio Coxipó, que faz parte do sistema de abastecimento da capital e também é utilizado para lazer em diferentes pontos da região.
Para o servidor público Clênio Paes, que costuma frequentar a área aos domingos, a preservação ultrapassa os limites da comunidade.
“Todo domingo eu venho de Cuiabá de bike, então, para mim, apesar de não ser daqui, é muito importante não só para cá, mas para toda a capital, a água de Cuiabá sai daqui, o abastecimento de Cuiabá sai daqui”, afirmou.
Memórias de um rio diferente
Para quem nasceu e cresceu no Coxipó do Ouro, a transformação do rio também aparece nas lembranças.
O presidente da Associação Rural de Cuiabá, Thiago Pedroso, conta que a relação da família com o local atravessa gerações. Segundo ele, seu pai nasceu na comunidade e está enterrado na região, o que transforma o cuidado com o rio em uma forma de preservar a própria história familiar.

Ele lembra que, durante a infância, o cenário era diferente.
“Fui criado aqui e era bem mais limpo. Na década de 80, a gente bebia água direto do rio. Hoje, se você beber água, você passa mal. Antes tinha um cardume de peixes, tinha piava, tinha dourado, tinha piraputanga, tinha curimbatá. Hoje você não vê mais peixe no rio Coxipo”, contou.
Mais de 6 toneladas retiradas na edição anterior
O tamanho do problema já apareceu nos números de outras edições. Na mobilização anterior, mais de 6 toneladas de resíduos foram retiradas do Rio Coxipó.
A preocupação dos participantes é evitar que, depois da limpeza, novos descartes voltem a ocupar as margens e o leito do rio.
Cirineu Franco Recalde, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), destacou que a preservação depende também da mudança de comportamento de quem utiliza a região.

“O lixo que a gente vai fazer essa coleta hoje é de total responsabilidade do ser humano, então, se ele não tiver essa consciência da preservação, da limpeza, gente, sozinho, gente não faz nada. Acredito que o mandorinha só não faz verão, então a responsabilidade é total do ser humano”, sabe?”, explicou.
Thiago Pedroso também reforçou o alerta para os próximos anos.
“Se a gente não fizer nada amanhã, daqui a 10 anos esse rio não aguenta mais. Então a gente precisa preservar”, afirmou.
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