Neblina amazônica carrega fungos e bactérias que ajudam no equilíbrio da floresta
Os pesquisadores apontam que a neblina atua como uma espécie de ponte biológica entre a atmosfera e o solo.
A neblina que cobre a Amazônia nas primeiras horas da manhã é mais do que um fenômeno visual. Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) aponta que a névoa também funciona como abrigo e meio de transporte para microrganismos vivos, como bactérias e fungos, importantes para o equilíbrio da floresta.
A pesquisa foi realizada no Observatório de Torre Alta da Amazônia (ATTO), localizado na Estação Científica de Uatumã, no Amazonas. No local, pesquisadores do Brasil e da Alemanha investigam a relação entre floresta e atmosfera. As amostras foram coletadas a 43 metros de altura, em uma plataforma instalada no meio da floresta.

Segundo o estudo, a neblina ocorre com frequência entre 3h e 7h da manhã, quando o resfriamento noturno favorece a condensação do vapor de água produzido pela floresta. Esse processo forma uma massa densa sobre a vegetação e participa do ciclo da água na Amazônia.
As análises indicaram que a névoa carrega partículas químicas, fragmentos biológicos e microrganismos ativos. Em algumas amostras, foram encontradas até 98 mil células por mililitro de água. Entre as espécies identificadas estão bactérias associadas à decomposição da matéria orgânica e ao ciclo do fósforo, processo essencial para a fertilidade do solo.
Com isso, os pesquisadores apontam que a neblina atua como uma espécie de ponte biológica entre a atmosfera e o solo. As gotículas protegem os microrganismos da radiação solar e da desidratação, permitindo que eles sejam transportados vivos até folhas, plantas e solo, onde continuam desempenhando funções ecológicas.

O estudo também mostra que a relação é de troca. Ao mesmo tempo em que dependem da neblina para sobreviver e se deslocar, esses microrganismos também ajudam na formação da névoa, servindo como base para a condensação da água.
A pesquisa reforça ainda que queimadas e desmatamento podem afetar diretamente esse processo. Como a neblina ocorre principalmente em áreas contínuas de floresta, a redução da vegetação tende a diminuir a frequência e a intensidade do fenômeno, impactando também a vida microscópica que depende dele.
As amostras foram coletadas entre 2022 e 2023, em 13 eventos de nevoeiro. O estudo foi publicado no periódico Communications Earth & Environment e contou com a participação de 36 autores.
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