Neblina amazônica carrega fungos e bactérias que ajudam no equilíbrio da floresta

Os pesquisadores apontam que a neblina atua como uma espécie de ponte biológica entre a atmosfera e o solo.

A neblina que cobre a Amazônia nas primeiras horas da manhã é mais do que um fenômeno visual. Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) aponta que a névoa também funciona como abrigo e meio de transporte para microrganismos vivos, como bactérias e fungos, importantes para o equilíbrio da floresta.

A pesquisa foi realizada no Observatório de Torre Alta da Amazônia (ATTO), localizado na Estação Científica de Uatumã, no Amazonas. No local, pesquisadores do Brasil e da Alemanha investigam a relação entre floresta e atmosfera. As amostras foram coletadas a 43 metros de altura, em uma plataforma instalada no meio da floresta.

Neblina Amazônica. - Foto: Fotos: Bruna Sebben/LabAir UFPR/Acervo Pessoal
Neblina Amazônica. – Foto: Fotos: Bruna Sebben/LabAir UFPR/Acervo Pessoal

Segundo o estudo, a neblina ocorre com frequência entre 3h e 7h da manhã, quando o resfriamento noturno favorece a condensação do vapor de água produzido pela floresta. Esse processo forma uma massa densa sobre a vegetação e participa do ciclo da água na Amazônia.

As análises indicaram que a névoa carrega partículas químicas, fragmentos biológicos e microrganismos ativos. Em algumas amostras, foram encontradas até 98 mil células por mililitro de água. Entre as espécies identificadas estão bactérias associadas à decomposição da matéria orgânica e ao ciclo do fósforo, processo essencial para a fertilidade do solo.

Com isso, os pesquisadores apontam que a neblina atua como uma espécie de ponte biológica entre a atmosfera e o solo. As gotículas protegem os microrganismos da radiação solar e da desidratação, permitindo que eles sejam transportados vivos até folhas, plantas e solo, onde continuam desempenhando funções ecológicas.

Neblina Amazônica. - Foto: Fotos: Bruna Sebben/LabAir UFPR/Acervo Pessoal
Neblina Amazônica. – Foto: Fotos: Bruna Sebben/LabAir UFPR/Acervo Pessoal

O estudo também mostra que a relação é de troca. Ao mesmo tempo em que dependem da neblina para sobreviver e se deslocar, esses microrganismos também ajudam na formação da névoa, servindo como base para a condensação da água.

A pesquisa reforça ainda que queimadas e desmatamento podem afetar diretamente esse processo. Como a neblina ocorre principalmente em áreas contínuas de floresta, a redução da vegetação tende a diminuir a frequência e a intensidade do fenômeno, impactando também a vida microscópica que depende dele.

As amostras foram coletadas entre 2022 e 2023, em 13 eventos de nevoeiro. O estudo foi publicado no periódico Communications Earth & Environment e contou com a participação de 36 autores.

FALE COM O PP

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso, clique aqui. Curta o nosso Facebook e siga a gente no Instagram.