Nova lei tenta frear degradação da Caatinga após perda de 42,8% da vegetação
Bioma exclusivamente brasileiro abriga 31,6 milhões de pessoas, já perdeu quase metade da vegetação nativa e agora passa a contar com uma política nacional de recuperação e combate à desertificação.
A Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro, acaba de ganhar uma política nacional voltada à recuperação de áreas degradadas e ao combate à desertificação. A medida foi oficializada nesta quinta-feira (11), com a publicação da Lei nº 15.430, que institui a Política Nacional para Recuperação da Vegetação da Caatinga e cria um programa específico para restaurar regiões afetadas pelo desmatamento e pela degradação ambiental.
A nova legislação chega em um momento considerado crítico para o bioma. Dados apresentados pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) mostram que a Caatinga já perdeu 42,8% da vegetação nativa, enquanto grande parte das áreas remanescentes encontra-se altamente fragmentada e degradada.

Com área de aproximadamente 862 mil quilômetros quadrados, a Caatinga ocupa cerca de 10% do território brasileiro e cobre mais da metade da região Nordeste. O bioma também abriga cerca de 31,6 milhões de pessoas, muitas delas em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro.
Ocupa
862.818 km²cobrindo cerca de 10% do país e mais da metade do Nordeste.
Abriga
31,6 milhõesde pessoas, muitas em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
Já perdeu
⚠️ 42,8%da vegetação nativa, sendo a maior parte das áreas remanescentes altamente fragmentadas e degradadas.
Os impactos da desertificação, da escassez hídrica e das mudanças climáticas tornam urgente a proteção e recuperação do bioma.
Vetores de supressão da vegetação nativa na Caatinga
Expansão Agrossilvipastoril
A Caatinga perdeu 122.506 km² de vegetação entre 2001 e 2023.
Em 2023, o desmatamento atingiu 3.189 km², o maior índice desde 2012.
A pecuária extensiva exerce forte pressão sobre o bioma.
Expansão da agricultura irrigada, produção de lenha e carvão, instalação de usinas solares e parques eólicos.
A atividade minerária amplia os riscos de supressão da vegetação em estados como Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte.
Supressão ilegal de vegetação nativa
Entre 2018 e 2022, 94% do desmatamento ocorreu sem autorização válida.
Estima-se que cerca de 21% do desmatamento total tenha sido ilegal mesmo em áreas com excedente de reserva legal.
A fragmentação intensa e as queimadas de origem humana agravam a degradação ambiental e aceleram a desertificação da Caatinga.
A lei estabelece ações para recuperar áreas degradadas, ampliar a produção sustentável de alimentos, fortalecer a segurança hídrica e incentivar atividades ligadas à bioeconomia e ao manejo florestal sustentável.
A preocupação do governo está diretamente ligada ao avanço da desertificação, da escassez de água e dos efeitos das mudanças climáticas, fatores que vêm aumentando a pressão sobre a vegetação nativa da região.
Entre os principais vetores de degradação identificados na Caatinga está a expansão agropecuária. Entre 2001 e 2023, o bioma perdeu cerca de 122,5 mil km² de cobertura vegetal. Somente em 2023, o desmatamento atingiu 3.189 km², o maior índice registrado desde 2012.

Outro dado que chama atenção é a supressão ilegal da vegetação nativa. Entre 2018 e 2022, aproximadamente 94% do desmatamento ocorreu sem autorização válida. Estimativas apontam ainda que cerca de 21% do desmatamento total tenha ocorrido ilegalmente até mesmo em áreas onde havia excedente de reserva legal.
Além disso, queimadas provocadas por ações humanas e a fragmentação da vegetação têm agravado a degradação ambiental e acelerado o processo de desertificação em várias áreas do bioma.
Com a nova lei, o governo pretende integrar União, estados, municípios, instituições de pesquisa, setor privado e comunidades locais em ações de recuperação ambiental. A expectativa é que a medida contribua para restaurar áreas degradadas, preservar recursos hídricos e reduzir os impactos ambientais que ameaçam um dos biomas mais importantes e exclusivos do país.
O que prevê a nova lei da Caatinga
- Recuperação de áreas degradadas;
- Ampliação da produção sustentável de alimentos;
- Incentivo à bioeconomia;
- Fortalecimento do manejo florestal sustentável;
- Combate à desertificação;
- Ações de adaptação às mudanças climáticas;
- Melhoria da segurança hídrica;
- Participação das comunidades locais na recuperação ambiental;
- Integração entre governos, pesquisadores e setor privado.
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