Pantanal e outros biomas atingem limite de temperatura do Acordo de Paris

Levantamento mostra que biomas brasileiros enfrentam aquecimento recorde e aumento da poluição do ar; especialistas alertam para necessidade de adaptação e preservação.

O Pantanal, o Cerrado e a Amazônia atingiram o limite de temperatura estabelecido pelo Acordo de Paris, segundo dados divulgados nessa quarta-feira (5) pelo MapBiomas. O levantamento aponta que, em 2024, o Pantanal registrou uma anomalia recorde de 1,8°C acima da média, seguido pela Amazônia (1,5°C) e pelo Cerrado (1°C).

Apesar de parecer pouco, para ecossistemas complexos como os biomas brasileiros, essas variações representam mudanças significativas e os efeitos já são visíveis em todo o território nacional.

Seca no Pantanal
Seca o Pantanal foi agrava nos últimos anos, mostra estudo. – Foto: Reprodução

A análise do MapBiomas Atmosfera, que considera dados entre 2003 e 2024, também avaliou a poluição do ar a partir de modelos atmosféricos globais. O estudo utilizou como referência as partículas MP2,5, uma das formas mais nocivas de poluição, capazes de penetrar profundamente nos pulmões e oferecer riscos sérios à saúde humana.

Os estados de Mato Grosso e Rondônia registraram as maiores concentrações de MP2,5 em 2024, resultado da combinação entre queima de combustíveis e incêndios florestais.

Para a pesquisadora do MapBiomas, Luciana Rizzo, o cenário exige medidas urgentes de adaptação e enfrentamento.

“A gente precisa combater essas causas porque essa temperatura vai continuar crescendo em regiões continentais, como é o caso de Mato Grosso. A temperatura cresce a uma taxa mais alta do que em outros locais. É fundamental desenvolver estratégias de adaptação às mudanças climáticas, como estruturas que ofereçam hidratação, sombra e água fresca para as pessoas. Isso é uma questão de saúde pública”, alertou.

Desmatamento e a falta de chuva

O desmatamento ilegal subiu 39%, com 209 casos — a maior parte deles na Amazônia Legal, onde Mato Grosso está inserido. Imagem ilustrativa. (Foto: Mayke Toscano/Secom-MT)
O desmatamento ilegal subiu na maior parte deles na Amazônia Legal, onde Mato Grosso está inserido. Imagem ilustrativa. – Foto: Mayke Toscano/Secom-MT

Um estudo recente publicado na Nature Geoscience apontou que o desmatamento é responsável por 74% da redução das chuvas e 16% do aumento da temperatura na Amazônia.

Segundo Tasso Azevedo, coordenador-geral do MapBiomas, a Amazônia perdeu 52 milhões de hectares de vegetação nativa desde 1985, o equivalente a 13% de área. Nesse mesmo intervalo, o bioma registrou aumento médio de 1,2°C na temperatura.

O levantamento do MapBiomas mostra ainda que, entre 1985 e 2024, a temperatura média no Brasil aumentou 0,29°C por década, mas alguns biomas vêm aquecendo em ritmo mais acelerado:

  • Pantanal: +0,47°C por década
  • Cerrado: +0,31°C por década
  • Amazônia: +0,29°C por década

Biomas costeiros, como a Caatinga (+0,25°C), Mata Atlântica (+0,21°C) e Pampa (+0,14°C), apresentaram aquecimento mais brando.

No Pantanal, a situação é agravada pela redução drástica das chuvas. Em 2024, a Bacia do Alto Paraguai registrou 314 milímetros abaixo da média anual e 205 dias consecutivos sem precipitação, um recorde preocupante.

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Jacarés mortos pela seca no Pantanal. – Foto: Fotógrafo José Medeiros/ReproduçãoInstagram

Aquecimento nacional

O ano de 2024 foi um dos mais quentes já registrados no Brasil, com temperaturas entre 0,3°C e 2,0°C acima da média histórica em todos os estados.

O MapBiomas aponta que o aumento das temperaturas é mais acelerado em regiões continentais, como Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Piauí, onde a taxa de aquecimento varia entre 0,34°C e 0,40°C por década.

Especialistas afirmam que o país já sente os impactos das mudanças climáticas e que as próximas décadas exigirão uma combinação de preservação ambiental, políticas públicas de adaptação e infraestrutura urbana resiliente para proteger tanto os ecossistemas quanto a população.

Acordo de Paris

O tratado internacional foi adotado em 2015 com o objetivo principal de manter o aumento da temperatura média global abaixo de 2°C, e limitá-lo a 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais para reduzir os riscos e impactos das mudanças climáticas.

Para isso, 194 partes, considerando 193 países e a União Europeia, se comprometeram a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa, aumentar sua capacidade de adaptação aos impactos climáticos e fornecer financiamento para apoiar países em desenvolvimento nesse processo.

O acordo foi negociado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2015 (COP 21), nas proximidades de Paris, França.

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