Pantanal em risco: estudo encontra partículas de pesticidas em rios da planície
A presença desses compostos preocupa pesquisadores pelos impactos na vida aquática e pelos possíveis riscos à saúde humana.
Medicamentos, hormônios sintéticos, produtos de higiene e pesticidas estão entre as substâncias encontradas em rios do Pantanal mato-grossense, segundo um estudo da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), em parceria com a Universidade de Córdoba, na Colômbia. A presença desses compostos preocupa pesquisadores pelos impactos na vida aquática e pelos possíveis riscos à saúde humana.
Essas substâncias são chamadas de “contaminantes emergentes”. Elas não são totalmente removidas pelos sistemas comuns de tratamento de esgoto e, por isso, acabam chegando a rios, lagos e até a organismos vivos. Mesmo em pequenas quantidades, podem interferir no funcionamento hormonal, afetar o sistema imunológico e causar outros danos.
De acordo com o coordenador da pesquisa, o professor Wilkinson Lopes Lázaro, muitos desses compostos permanecem por muito tempo no ambiente, o que aumenta os efeitos negativos ao longo dos anos. Peixes, crustáceos, anfíbios e até seres humanos podem ser afetados.
No Brasil, estudos recentes mostram que a água que chega às casas pode conter dezenas de substâncias químicas. Ao todo, já foram identificados 77 contaminantes, sendo 22 acompanhados por órgãos de saúde e 54 considerados emergentes.
Coleta em diferentes regiões

Para identificar a presença dessas substâncias, os pesquisadores analisaram amostras de água coletadas em seis pontos dos rios Paraguai e Cuiabá/São Lourenço, em abril de 2024, período de cheia. As coletas foram feitas em áreas que incluem trechos de Amazônia, Cerrado e Pantanal, nos municípios de Cáceres, Cuiabá, Barão de Melgaço e Poconé.
No total, foram encontrados 14 tipos de contaminantes. Os resultados mostram que a poluição tem diferentes origens: medicamentos e produtos de higiene aparecem principalmente perto de áreas urbanas, enquanto os pesticidas estão espalhados por toda a bacia, indicando influência da atividade agrícola.
Outro indicativo importante foi a presença de cafeína, que serve como sinal de contaminação por esgoto doméstico.

Possíveis soluções
Diante desse cenário, os pesquisadores estudam formas de reduzir a presença desses contaminantes. Uma das alternativas são os chamados “wetlands construídos”, sistemas que imitam áreas úmidas naturais e usam plantas e microrganismos para filtrar a água.
Esses sistemas funcionam por meio de processos naturais, como filtragem e decomposição, e têm baixo custo de implantação e manutenção. Testes feitos em Cáceres já mostraram bons resultados na remoção de substâncias como cafeína, ibuprofeno e bisfenol A.
A ideia é ampliar o uso dessa tecnologia, principalmente em cidades de pequeno e médio porte, como forma de melhorar o saneamento e ajudar na preservação do Pantanal.
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