Pesquisadores identificam plástico nas fezes de onça-pintada no Pantanal

Descoberta traz alerta sobre descarte irregular de lixo em um dos principais biomas do Brasil.

Pesquisadores do Instituto Impacto identificaram fragmentos de plástico nas fezes de uma onça-pintada durante atividade de campo no Pantanal mato-grossense. O registro é um alerta para os efeitos do descarte inadequado de lixo que ameaça a fauna de um dos principais biomas do país.

Além disso, a presença de plástico nas fezes dos animais mostra que o descarte de lixo no ambiente natural do bioma já atinge até os maiores predadores da região.

No Pantanal, fragmentos de plástico foram identificados nas fezes de uma onça-pintada. (Foto: Redes sociais | Instituto Impacto)
No Pantanal, fragmentos de plástico foram identificados nas fezes de uma onça-pintada. (Foto: Redes sociais | Instituto Impacto)

De acordo com o veterinário e coordenador do Instituto, Paul Raad, a ingestão desse material pode causar intoxicação, obstrução intestinal e até levar o animal à morte.

“Jogar o lixo sempre em um lugar indicado, salva a vida de animais. Nesse caso, esse animal se viu prejudicado por nossa culpa”, alertou.

Veja o alerta do pesquisador no vídeo abaixo:

Pesquisadores encontraram fragmentos de lixo nas fezes de uma onça-pintada. (Vídeo: Redes sociais | Instituto Impacto)

A onça-pintada é considerada topo da cadeia alimentar nas Américas e desempenha papel essencial no equilíbrio do ecossistema. A presença de resíduos plásticos no organismo desses animais evidencia como a poluição humana está interferindo diretamente na saúde e na conservação do Pantanal.

Esse mesmo instituto também tem desenvolvido outras pesquisas inovadoras no Pantanal. Um estudo realizado no Pantanal Norte, em Mato Grosso, criou um método totalmente não invasivo para a coleta de pelos de onças-pintadas em ambiente natural, permitindo a extração de DNA sem necessidade de capturar ou manipular os animais.

O trabalho é conduzido pelo Instituto Impacto, sediado em Poconé, a 104 km de Cuiabá. A coleta é feita por meio de armadilhas adaptadas em locais de passagem frequente dos felinos, como árvores, carcaças e trilhas, durante 30 dias. Nessas estruturas, são colocadas esteiras sintéticas que retêm os pelos dos animais sem causar estresse ou contato direto.

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