Povo Munduruku exige informação e inclusão em plano emergencial das usinas
Comunidades denunciam falta de informação sobre oscilações no rio e pedem medidas para proteger aldeias, pesca e segurança alimentar.
A Associação Dace, que representa comunidades Munduruku do Baixo Rio Teles Pires, divulgou nesta segunda-feira (25) uma nota pública denunciando a falta de informação detalhada sobre a operação das hidrelétricas e exige participação direta no Plano de Ação Emergencial da Usina Hidrelétrica de Colíder, após falhas identificadas na barragem.

De acordo com os indígenas, nas últimas semanas o nível do rio oscilou de forma brusca, subindo mais de dois metros e baixando em seguida, sem comunicação clara e detalhada das empresas responsáveis pelas hidrelétricas.
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O alerta teria sido acionado depois que a Eletrobras elevou o nível de segurança da UHE Colíder para “atenção” em razão de falhas detectadas em drenos da barragem e da ativação do Plano de Ação Emergencial (PAE).
Impactos imediatos no território
Os Munduruku relatam que as mudanças repentinas no fluxo do rio já causaram a morte de peixes e ameaçam a reprodução de tracajás, espécie fundamental para a alimentação das aldeias. A água, dizem, está turva e imprópria para consumo em algumas áreas.

“Não sabemos se vamos acordar com nossas casas debaixo d’água ou se perderemos nosso alimento. O que chega até nós são mensagens de WhatsApp, sem saber o que é mentira ou verdade. Falta informação segura e diária”, afirmam no documento.
A associação alerta para o impacto psicológico sobre as famílias. “Caciques e cacicas, anciãs e anciãos, crianças e lideranças estão em alerta e sob pressão. Exigimos respeito”.
Exigências das comunidades
A nota pública lista cinco pontos considerados urgentes para garantir a segurança das aldeias Munduruku e mitigar os danos provocados pelas barragens. Entre eles estão a inclusão imediata das comunidades no Plano de Ação Emergencial da UHE Colíder, comunicação oficial diária em linguagem acessível e medidas específicas para proteger a reprodução dos quelônios e a pesca.
Além disso, os indígenas exigem participação efetiva nas decisões que afetam seus territórios, em respeito ao direito à consulta prévia, livre e informada, previsto em convenções internacionais, e maior compromisso do governo federal em enfrentar os impactos históricos e atuais das hidrelétricas na região.
Histórico de conflitos
A Associação Dace lembra que há anos denuncia as falhas de segurança e as compensações consideradas insuficientes oferecidas pelo governo e pelas concessionárias. As quatro usinas do rio Teles Pires foram erguidas nas últimas décadas como parte da expansão energética da Amazônia. Desde a construção, comunidades indígenas e ribeirinhas afirmam sofrer com impactos diretos sobre a pesca, a qualidade da água e o modo de vida tradicional.
Encaminhamentos
O documento será enviado a órgãos de controle e de defesa dos direitos indígenas, como Ministério Público Federal, Funai e Defensoria Pública da União, pedindo fiscalização imediata e responsabilização da Eletrobras e das demais empresas que administram os empreendimentos.
“Defender o Teles Pires é defender a vida Munduruku e o futuro de toda a região. Resistimos há séculos e continuaremos resistindo. Não aceitaremos viver sob ameaça constante em nome de um desenvolvimento que nos sacrifica”, conclui a nota assinada pela Associação Dace, da Terra Indígena Kayabi, em Jacareacanga, no Pará.
MPE e MPE acompanham o caso
Os Ministérios Públicos Federal e de Mato Grosso acompanham o processo de rebaixamento do reservatório da Usina Hidrelétrica Colíder (UHE Colíder), no rio Teles Pires. Ambos instauraram um procedimento administrativo para monitorar os desdobramentos técnicos, ambientais e institucionais relacionados à Usina.
O rebaixamento do reservatório teve início a cerca de duas semanas, após a detecção de falhas em cinco dos 70 drenos da estrutura.
O caso, contudo, só veio à tona, após a Eletrobras dar início ao procedimento, que mobiliza mais de 100 profissionais em uma operação emergencial de resgate de peixes, com o objetivo de evitar a mortandade em áreas de baixa oxigenação.
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