Quase 90% do desmatamento na Amazônia em 2025 foi ilegal, aponta estudo

Levantamento do Instituto Centro de Vida mostra que 4,4 mil km² foram desmatados ilegalmente na Amazônia entre 2024 e 2025, reforçando a urgência de fortalecer a fiscalização ambiental.

Quase 90% de toda a área desmatada na Amazônia entre agosto de 2024 e julho de 2025 foi aberta sem qualquer tipo de autorização ambiental. O dado é do Instituto Centro de Vida (ICV), que analisou informações do PRODES Amazônia e Cerrado, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O levantamento aponta que 4,4 mil km² de floresta amazônica foram derrubados de forma irregular no período. No Cerrado, o desmatamento não autorizado somou 3 mil km², equivalente a 42,6% da área analisada. Para chegar a esses números, o ICV cruzou as áreas com os registros do Sistema Nacional de Controle da Origem de Produtos Florestais (Sinaflor) e bancos de dados de órgãos estaduais de meio ambiente.

DESMATAMENTO AGENCIA BRASIL OK
Amazônia teve 4,4 mil km² de desmatamento irregular. – Foto: reprodução

Municípios do ranking

Os dez municípios com maior desmatamento com indícios de ilegalidade são: São Félix do Xingu (PA), Apuí (AM), Marcelândia (MT), Lábrea (AM), Altamira (PA), Colniza (MT), Peixoto de Azevedo (MT), Uruará (PA), Portel (PA) e Itaituba (PA).

Entre os que mais registraram desmatamento autorizado estão Balsas (MA), Guadalupe (PI), Baixa Grande do Ribeiro (PI), Jaborandi (BA), São Desidério (BA), Uruçuí (PI), Paranã (TO), Sebastião Leal (PI) e Cocos (BA).

Apesar da redução do desmatamento total na Amazônia e no Cerrado em comparação ao ano anterior, o alto índice de desmate sem licença reforça a necessidade de fortalecer ações de monitoramento e responsabilização.

Fatores

De acordo com Ana Paula Valdiones, coordenadora do Programa de Conservação e Clima do ICV, a expansão agropecuária continua sendo o principal motor do desmatamento nos dois biomas. Ela destaca que o enfrentamento das irregularidades depende tanto da atuação efetiva dos órgãos ambientais quanto do cumprimento dos compromissos assumidos por setores produtivos.

Segundo Valdiones, acordos como a Moratória da Soja e outras iniciativas voltadas às cadeias da carne e de grãos são fundamentais para conter a abertura ilegal de novas áreas. Ela defende que esses mecanismos precisam ser mantidos e fortalecidos para garantir a rastreabilidade e reduzir o impacto ambiental da produção.

Área desmatada por fazendeiro foi de 1.646 hectares de vegetação nativa em São Félix do Araguaia. (Foto: Ministério Público Estadual)
3 municípios de MT estão no ranking dos que mais desmataram. – Foto: Ibama

Mudanças climáticas

O desmatamento segue como principal fonte de emissões de gases do efeito estufa no Brasil, o que amplia os desafios do país no combate às mudanças climáticas. Para Valdiones, reduzir a perda de vegetação é essencial para que o Brasil consiga cumprir a meta de zerar o desmatamento até 2030.

A pesquisadora reforça que o país deve investir em estratégias de incentivo à conservação ambiental, como pagamentos por serviços ambientais, apoio à bioeconomia e fomento a práticas agropecuárias sustentáveis. Essas medidas, afirma, são fundamentais para valorizar a floresta em pé e gerar renda e oportunidades econômicas para as comunidades locais.

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