Rio Cuiabá tem 10% das áreas de pesca bloqueadas por hidrelétricas, aponta estudo

O Rio Cuiabá é o espaço natural de peixes como pintado, cachara, jaú e piraputanga.

O Rio Cuiabá é o espaço natural de peixes como pintado, cachara, jaú e piraputanga. Porém, um estudo realizado por uma estudante de pós-graduação em Ecologia e Conservação da Biodiversidade, da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), mostra que 10% das áreas disponíveis para pesca na sub-bacia do Rio Cuiabá são bloqueadas por hidrelétricas em operação.

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Estudo desenvolvido na UFMT analisa impactos no desenvolvimento de peixes que habitam o Rio Cuiabá. (Foto: Gecom)

O resultado da pesquisa denominada “Os efeitos negativos das mudanças climáticas sobre os recursos pesqueiros neotropicais podem ser exacerbados por hidrelétricas”, de Luiza Peluso, foi publicado na revista “Science of the Total Environment”.

Conforme o estudo, as espécies de peixes nativas da região podem estar em risco com a construção de hidrelétricas.

Ela explicou que a pesquisa avaliou os efeitos das mudanças climáticas e da fragmentação do rio por barragem, sob os peixes de água doce na Bacia do Alto Paraguai.

Segundo a pós-graduanda, o artigo estima os habitats climaticamente adequados com base nas variáveis ambientais como temperatura, precipitação e elevação e registros de ocorrências de 14 espécies de peixes migradores.

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Estudo aponta que hidrelétricas afetarão negativamente o rendimento da pesca e a segurança alimentar no futuro. (Foto: José Medeiros/Facebook)

Os resultados mostraram que a construção de hidrelétricas atua em conjunto com as mudanças climáticas e poderá impedir os deslocamentos de peixes migradores na região.

O estudo aponta que a tendência é que o problema se agrave no futuro. De acordo com Luiza, cerca de 4% da área de distribuição atual e até 45% da área de distribuição futura de peixes migratórios devem ser bloqueados por barragens na Bacia do Alto Paraguai.

“Consequentemente, isso também afetará negativamente o rendimento da pesca e a segurança alimentar no futuro”, destaca a autora.

Considerando as hidrelétricas em operação e as previstas para os próximos anos, o bloqueio, de acordo com o estudo, pode ser de até 67%.

A pesquisadora ressalta que o grande desafio para o futuro do Rio Cuiabá é lembrar que ele está exposto a problemas ambientais. Ela defende que são necessárias medidas de conservação mais efetivas, como ações do poder público alinhadas à ciência para conservar o rio para as futuras gerações.

“A Bacia do Alto Paraguai, onde o Rio Cuiabá está inserido, possui alta diversidade de peixes que depende da conexão entre os rios localizados no Planalto com a planície de inundação que formam o Pantanal. Além disso, a pesca é uma importante atividade econômica da região, logo muitas pessoas usam o peixe como fonte de alimento e renda”, diz.

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