Sararé é a terra indígena mais desmatada do país, aponta relatório

Estudo Cartografias da Violência na Amazônia em 2025 aponta o avanço do garimpo ilegal como principal causa da devastação no território indígena localizado no oeste de Mato Grosso.

O avanço do garimpo ilegal é apontado como o principal fator por trás do desmatamento na Terra Indígena Sararé, localizada na região oeste de Mato Grosso, na divisa com o estado de Rondônia, segundo aponta o relatório Cartografias da Violência na Amazônia 2025 divulgado em novembro. O território liderou o ranking das terras indígenas mais desmatadas do país em 2024.

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Terra Indígena Sararé lidera ranking de desmatamento no Brasil. – Foto: Cartografias da Violência na Amazônia/ Reprodução

Somente no último ano, a TI Sararé perdeu 28,65 km² de floresta, ficando à frente da Terra Indígena Yanomami, em Roraima, que registrou 22,59 km² de área desmatada. Em terceiro lugar aparece a Terra Indígena Uati-Paraná, no Amazonas, com 19,88 km², evidenciando a pressão crescente sobre áreas tradicionalmente protegidas.

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Terra Indígena Sararé lidera ranking de desmatamento no Brasil. – Foto: Cartografias da Violência na Amazônia

Garimpo impulsiona devastação

De acordo com o relatório, a taxa elevada de desmatamento na TI Sararé está diretamente relacionada ao crescimento do garimpo ilegal de ouro. Dados citados no estudo, com base no relatório Ouro Tóxico, do Greenpeace, indicam que, entre 2023 e 2024, houve um aumento de 93% na área destruída pelo garimpo ilegal dentro do território indígena.

Atualmente, os garimpeiros são apontados como a principal ameaça à TI Sararé e ao povo Nambikwara, que habita a região. Informações das forças de segurança indicam, ainda, que o Comando Vermelho teria assumido o controle da extração ilegal de minério na área, ampliando a presença do crime organizado no território.

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Terra Indígena Sararé lidera ranking de desmatamento no Brasil. – Foto: Cartografias da Violência na Amazônia

Pressão também vem do agronegócio

Embora o garimpo seja o principal vetor da devastação, o relatório destaca que outras atividades ilegais também contribuem para a exploração da Terra Indígena Sararé. Entre elas está o desmatamento voltado à expansão do agronegócio, especialmente para a abertura de áreas destinadas à monocultura de grãos.

A TI Sararé está localizada em um dos principais eixos de avanço da fronteira agrícola brasileira, que se estende de Mato Grosso em direção ao oeste do país, atravessando Rondônia e chegando ao Acre. Esse processo intensifica a pressão sobre áreas indígenas, sobretudo nas regiões limítrofes entre terras demarcadas e propriedades privadas.

O relatório também aponta que o desmatamento em terras indígenas não ocorre de forma isolada. Em muitos casos, está associado à expansão da pecuária, com invasões que têm como objetivo abrir espaço para a criação de gado.

A TI é marcada por diversas operações policiais que visam combater, principalmente, o garimpo ilegal e dentre outras ações criminosas. Nas ações, as forças de segurança destroem diversos equipamentos, como máquinas e balsas.

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