Um cerrado, um celeiro, um lugar que escolhi...
Quando eu nasci, nos 60, o cerrado brasileiro era sinônimo de um terra desvalorizada, degradada e de pouco valor agregado. O meu avô paterno foi dono de um grande extensão de terras ás margens do rio Miranda, entre os municípios de Anastácio e Bonito, no oeste do estado de Mato Grosso do Sul. Entre rios […]
Quando eu nasci, nos 60, o cerrado brasileiro era sinônimo de um terra desvalorizada, degradada e de pouco valor agregado. O meu avô paterno foi dono de um grande extensão de terras ás margens do rio Miranda, entre os municípios de Anastácio e Bonito, no oeste do estado de Mato Grosso do Sul. Entre rios cristalinos e de água salobra, o pasto era quase natural, o Jaraguá e o colonião, porém, de pouquíssimo valor nutritivo para a criação de gado. Mesmo assim, como a extensão de terra enorme, era possível criar gado zebu e ter lucro. Só no final dos anos 70, que uma joia da ciência brasileira, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), revolucionou o que temos hoje como o celeiro do planeta terra, especialmente nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Um dos criadores e brilhante ministro da agricultura, Alisson Paulinelli, que chegou a ser indicado ao prêmio Nobel, foi o responsável pelo patamar que o cerrado alcançou. De terra degradada como a fazendo do meu avô, se ergueu ao mais importante celeiro da produção de grãos, frutas e gado do país. No nosso cerrado plantamos e exportamos soja, milho, arroz, trigo e criamos gado à pasto., De 1975 até o final do século XX , o cerrado aumentou de 8 milhões de toneladas para mais de 80 milhões de toneladas de alimentos. E o melhor: o cerrado é uma das poucas áreas do planeta terra, onde o agricultor pode tirar duas safra no ano – a chamada cultura rotativa, sempre com bons resultados.
Como nasci e vivo no cerrado brasileiro, só que agora a mil e trezentos quilômetros, no planalto central, não posso esquecer que a revolução do cerrado na produção de alimentos teve seu preço, especialmente, para o meio ambiente. Muitas nascentes de rios foram degradadas, como exemplo, o taquari, uma tragédia escondida que nasce no cerrado e carrega toneladas de areia para o pantanal. Muitos animais silvestres, como apresentou a ONG – WWF, correm risco de sumir da região por conta do manuseio errado da terra. Onça pintada, tatu bola e nosso tamanduá bandeira são atingidos por eventos climáticos como os incêndios, e, também, caçados impiedosamente pelas nossas savanas, onde na região chamamos de “capão.”
Então, como tudo no mundo existem ação e reação. Cabe a nós cerradeiros – do campo e da cidade , encontrar um equilíbrio que nos ajudem a continuar sendo o celeiro do mundo, mas que também não avancem sobre nossa natureza .
Empresto, então, um pedaço de poema do Manoel de Barros, nosso poeta fazendeiro, sobre o símbolo do nosso cerrado – ‘’O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha
voz. Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens.’’
*Odacil Canepa é jornalista e correspondente da RMC em Brasília.
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