1 ano sem Delinha: da saudade a preparação para musical em MS

Os fãs terão a oportunidade de conhecer um pouco mais da história de Délio e Delinha nos palcos, com música e teatro

Há um ano, Mato Grosso do Sul perdia um dos maiores nomes da cultura do estado. Delanira Pereira Gonçalves, a Delinha, morreu em um feriado de Corpus Christi, aos 85 anos, sendo 60 deles dedicados à música.

Agendão show Delinha
Delinha durante show (Foto: Mari Camilo)

Eternizada nos palcos, a história da Dama do Rasqueado vai ganhar vida no tablado do teatro. E como não poderia deixar de ser, a vida e a obra de uma das maiores vozes da música sertaneja vão virar musical.

Os fãs terão a oportunidade de conhecer um pouco mais da história de Délio e Delinha nos palcos, com música e teatro.

O roteiro de “Delinha, Aromas do Passado – O Musical” tem 98 páginas. O professor universitário Fernandes Ferreira é o responsável por dar vida ao espetáculo.

Fernandes
Fernandes Ferreira de Souza. (Foto: Arquivo Pessoal)

“É um desafio, como toda montagem em Campo Grande é um desafio. Mas é um desafio prazeroso. Pela primeira vez estamos trabalhando com uma artista regional”, declarou Fernandes.

O professor confessa que foi impossível deixar de lado a emoção durante a elaboração do roteiro.

“Na escrita eu me emocionei muitas vezes, eu chorei muitas madrugadas, dialogando com o coautor também, o Mauro, então isso de certa forma vai se repetir no processo, a gente ver Délio e Delinha na intimidade, né?”, frisa.

Delinha, a "Dama do Rasqueado", cantora que brilhou no cenário musical e morreu aos 85 anos, nesta quinta (Foto: Redes sociais)
Delinha, a “Dama do Rasqueado”, cantora que brilhou no cenário musical (Foto: Redes sociais)

O musical só deve estrear em outubro aqui em Campo Grande, mas os ensaios já estão a todo vapor. São cerca de 50 pessoas envolvidas na produção do espetáculo, 30 atores e bailarinos que estão treinando cuidadosamente para tudo ficar perfeito.

Delinha, Aromas do Passado

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Flávia Laís Alarcon vai dar voz a Delinha durante o musical (Foto: Marithê do Céu)

O musical terá muita Catira, a dança da infância de Delinha marcada pelas batidas dos pés, mas também Chamamé e Rasqueado.

E quando sair a brutalidade dos sapatos, entrará a suavidade da dança das lavadeiras, trabalho feito por muito tempo pela mãe e pela própria Delinha.

FLAVIO E RAFAELA
Flávia, no meio, e Rafaela Oliveira, à direita, sentada, que vai viver a mãe de Delinha. (Foto: Vaca Azul)

O espetáculo terá duração de duas horas e quem vai subir ao palco e cantar as tão famosas canções embaladas pela voz de Delinha é a atriz e professora Flávia Laís Alarcon que para entrar na personagem já usa até o xale.“Esse xale aqui tá me acompanhando no processo”, diz.

A também atriz e professora Rafaela de Oliveira Cardoso vai interpretar a Dona Jerônima, que todo mundo conhece como Chiruca, a mãe de Delinha. Ela foi a grande incentivadora da carreira da filha.“ Ela acreditava muito nessa filha dela. E deu o que deu né?”

Samir Henrique é ator profissional desde 2016 e será o Délio nos palcos. O jovem sente a responsabilidade em interpretar um personagem que marcou a música regional. “A gente se coloca nesse lugar de olhar para uma pessoa que nos anos 60 lá começou a fazer isso, a expor essa cultura toda”.

DELINHA DELIO DELINHA
Delio e Delinha fazem parte da história de Mato Grosso do Sul (Foto: Divulgação)

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E para contar uma história é preciso conhecê-la. É por isso que os atores do musical participaram de uma reunião na Velha Casinha. Uma noite regada a muita música e alegria, conforme lembra o filho de Délio e Delinha, João Paulo Pompeu.

“É algo emocionante que a gente está aguardando com muita expectativa, né?”, diz, reforçando que todos os envolvidos estão atentos aos detalhes da vida de Delinha. “A minha mãe sempre dizia que a nossa grande riqueza era a bondade e o carinho do povo com eles, né?”

Delinha com copo de bebida
Delinha segurando um bom copo de bebida. (Foto: Juliano Almeida)

João Paulo completa que existem coisas mais importantes que o dinheiro. “A gente precisa, claro, pra viver, né? Mas o dinheiro vai acabar, é passageiro, o legado, não, ele fica para sempre. Délio e Delinha deixaram um grande legado para a história musical do nosso querido Estado de Mato Grosso do Sul”.

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