A frase de uma criança de luto que se transformou num sucesso mundial
Essa música tocou no mundo inteiro e muita gente acha que ela nasceu de um protesto contra um atentado terrorista.
Esse menino era o caçula de 6 irmãos.
O pai dele era motorista de caminhão e músico de jazz. Então, desde que ele nasceu, teve música dentro de casa. Com 5 anos já estava fazendo umas gravações em casa com o pai.
Ele e o pai criaram um laço muito forte por causa da música, era uma coisa que aproximava muito os dois.

Quando ele estava terminando a quarta série, o pai dele descobriu um câncer.
A doença já estava em estágio avançado e, em 3 meses, o pai dele morreu, no dia 1º de setembro de 1982.
A primeira fase do luto
Ele tinha 10 anos de idade e, quando voltou do velório do pai, se trancou no quarto de casa. Para ele, a vida tinha acabado ali e começado do zero, agora sem a presença do pai.
Como ele não saía do quarto, a mãe dele bateu na porta para ver se ele estava bem, e ele respondeu:
“Só me acorda quando setembro acabar.”
Ele só queria dormir até acordar daquele pesadelo. Mas o pesadelo não passou e ele teve que encarar a realidade.
Quando voltou para a escola, sentia como se fosse a única criança do mundo sem pai.

Ele sentia que as outras crianças o tratavam como o “menino com o pai morto”, e esse sentimento marcou muito a infância dele.
O tempo foi passando, e ficava cada vez mais difícil processar a perda do pai.
Com a falta do pai, a mãe se casou de novo, e ele acabou se afastando um pouco da família e usava a música como válvula de escape.
Aquele momento de dor que ele viveu no quarto, logo depois do velório do pai, nunca mais saiu da cabeça dele.
O sucesso mundial e a indigestão emocional
Conforme as coisas começavam a dar certo para ele na música, ele lembrava do pai e ficava com a sensação de que eles nem puderam se conhecer de verdade — ele era muito novo.
Com 30 anos, ele já tinha atingido o sucesso mundial na música, mas ainda não tinha conseguido digerir emocionalmente a perda do pai. Já tinham se passado 20 anos e ele não conseguia visitar o túmulo.
Apesar de toda glória e sucesso, sempre que chegava o mês de setembro, a dor voltava junto com todas as lembranças.
E desde que ele fez sucesso na música, ele sentia que precisava escrever alguma coisa para o pai dele. Mas nenhuma ideia à altura do que sentia tinha surgido até o momento.
Um belo dia, lembrando da frase que o acompanhou a vida inteira, desde quando ele a disse para a mãe no dia do velório, quando ele se trancou no quarto, ele finalmente conseguiu colocar a saudade do pai para fora:
“Summer has come and passed
(O verão chegou e passou)
The innocent can never last
(Os inocentes nunca podem durar)
Wake me up when September ends“
“Wake me up when September ends” foi exatamente a frase que Billie Joe Armstrong, vocalista do Green Day, disse para a mãe com 10 anos de idade. “Me acorde quando setembro acabar”.

A última fase do luto
O Billie conta que, quando conseguiu escrever a música, sentiu um alívio enorme. Tirou um peso das costas. A partir daí, passou a visitar o túmulo do pai e ressignificou a falta dele.
“Like my father’s come to pass
(Assim como meu pai se foi)
20 years has gone so fast
(Vinte anos passaram muito rápido)
Wake me up when September ends”
E em um dos versos finais da música, Billie Joe Armstrong deixa evidente que, naquele momento, o processo de luto tinha finalmente chegado à fase da aceitação, mesmo com a saudade eterna.
“As my memory rests
(Enquanto minha memória descansa)
But never forgets what I lost
(Mas nunca se esquece o que eu perdi)
Wake me up when September ends”
“Wake Me Up When September Ends” foi lançada em 2004 e acabou ganhando um tema diferente.
No clipe, a narrativa escolhida foi uma reflexão sobre o clima nos Estados Unidos depois dos ataques de 11 de setembro, que tinham acontecido 3 anos antes.
Eu sempre achei que ela realmente falasse sobre o 11 de setembro.
Assista ao clipe:
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