Nando Reis diz que assassinato inspirou sucesso de Titãs
Um clássico dos Titãs guarda uma das histórias mais tortas da nossa música, e você vai ter que decidir em quem acreditar: em um dos compositores ou na matemática
Essa música é um clássico dos Titãs, e muita gente se identifica com ela por causa da letra. Só que ela carrega uma das histórias mais tortas da nossa música, e vocês vão ter que decidir em quem acreditar: em um dos compositores ou na matemática.
Esse clássico da música brasileira é, na verdade, uma versão de uma música americana, e muita gente não sabe disso.
Uma versão que nasceu numa loja de discos
No começo dos anos 80, os Titãs estavam começando e ainda não tinha uma identidade. Uma das maneiras de ter um repertório era fazendo versões.
Nessa época, o Nando Reis estava ouvindo muito reggae. Um dia ele foi a uma loja de discos na Rua Teodoro Sampaio, em São Paulo, e um disco chamou a atenção dele: King Sounds e os Israelitas.

Ele levou o disco para casa e a faixa 3 do lado B fisgou ele. Pegou a letra no encarte e ficou louco. Levou para o Sergio Britto para eles fazerem uma versão.
Como a história era muito boa, eles não mudaram muito a letra, foi quase que uma tradução, com exceção do nome da música, que é onde mora a confusão.
O nome original dessa música é Retalhos, e ela conta a história de um menino pobre que perdeu o pai muito cedo e precisou assumir a família. A coisa estava tão feia que ele remendava as roupas com retalhos.
Só que o nome Retalhos não ia ficar legal no Brasil, então eles resolveram dar nome ao personagem dessa letra: O Marvin.
Meu pai não tinha educação
Ainda me lembro, era um grande coração
Ganhava a vida com muito suor
O Marvin da versão brasileira existiu de verdade
Nando Reis e Sérgio Britto construíram esse clássico dos Titãs em cima de uma história fictícia, criada pelos americanos Jon Dunbar e General Johnson. Mas o Marvin da versão brasileira existiu de verdade.
Em 1984, o Marvin Gaye, lenda da soul music, bateu no pai dele, um pastor pentecostal de quase 70 anos. O pai não parava de gritar com a mãe dele por causa de uns documentos perdidos.

Depois de tentar fazer o pai parar várias vezes, o Marvin Gaye deu uns tapas nele e, depois que separaram a briga, o pai buscou a pistola que tinha ganhado do próprio Marvin e deu um tiro no peito dele.

O Marvin morreu, e o Nando e o Sérgio quiseram homenageá-lo na música.
Disse: Marvin, agora é só você
E não vai adiantar chorar
Vai me fazer sofrer
Só que essa história, contada pelo próprio Nando, não pode ser verdade. Dois anos antes de Marvin Gaye morrer, a música já existia com os Titãs. Estava na fita demo e no repertório da estreia no Sesc Pompeia.

A biografia dos Titãs conta que o Marvin verdadeiro é o guitarrista da banda de Bob Marley, o The Wailers, Julian Marvin, de quem Nando e Sérgio eram fãs.
Ouça “Marvin”:
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