Atravessando gerações, vinil conquista jovens da era digital

O bom e velho disco de vinil, que para muitos era peça de museu, está vivendo um renascimento surpreendente e conquistando uma geração que nasceu no digital.

Muitas pessoas não se lembram da última vez em que parou tudo apenas para ouvir um disco? Sem notificações de celular ou pressa? O bom e velho disco de vinil, que para muitos era peça de museu, está vivendo um renascimento surpreendente e conquistando uma geração que nasceu no digital.

Vinil dos Beatles. (Foto: Arquivo Pessoal/Pedro Artur Guimarães)
Vinil dos Beatles. (Foto: Arquivo Pessoal/Pedro Artur Guimarães)

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Para entender este movimento, o Primeira Página mergulhou no ritual da agulha e dos sulcos para entender por que o vinil virou um elo emocional entre avós e netos.

(Foto: Arquivo pessoal)
Carlos Luz, produtor e colecionador (Foto: Arquivo pessoal)


“Meu primeiro disco de vinil…eu sou de uma geração de 58… eram discos de rock, Pink Floyd, Led Zeppelin… era muito difícil de conseguir na época. Hoje eu preservo a história da música sul-matogrossense. São mais de 600 discos de vinil…o objetivo é preservação para museus, para que pesquisadores vejam o que foi gravado em mato grosso do sul”.

Carlos Luz, produtor e colecionador

O produtor e colecionador Carlos Luz é um guardião de histórias, mas ele não está sozinho nessa jornada de preservação. Para quem entende de técnica, como o maestro Eduardo Martinelli, o vinil oferece algo que o digital ainda tenta copiar: a alma do instrumento.


“O vinil traz uma percepção sonora mais próxima do instrumento ao vivo…não é apenas auditivo, o conjunto traz informações incríveis. Eu tive acesso a obras da Lídia Baís…ela gravava em discos de vinil virgem. Se não fosse o vinil, não teríamos essa fase curiosa da Lídia Baís produzindo peças para piano solo”.

Eduardo Martinelli, maestro

Está enganado quem pensa que o disco de vinil vive apenas de nostalgia. Números de 2025 dizem o contrário, que em um mundo dominado por algoritmos, o mercado de “bolachões” teve um crescimento explosivo.

Dados da Key Production mostram que a produção de vinis saltou 50% só no primeiro semestre de 2025. No entanto, um dado é curioso: quase metade das crianças da geração Alpha já consome música em formatos físicos. É a geração z que está puxando o carrinho de compras, e colecionador Boloro de 27 anos, é um deles.


“Pra mim, quando eu gosto muito de um disco, tem todo um ritual. Eu quero saber quem foi o produtor, onde gravou, os instrumentos…ter contato com a mídia física é muito bom. Atualmente virou uma coisa coletiva, costumo ouvir mais quando estou com meus amigos. Eu adoro vinil.”

Boloro, colecionador de vinis
(Foto: Arquivo Pessoal/Boloro)
(Foto: Arquivo Pessoal/Boloro)

Esse fascínio pelo tangível levou o jovem Pedro Arthur, de apenas 18 anos, a um caminho inverso: ele descobriu os clássicos sozinho, pela internet, e acabou resgatando a vitrola da família.

“Descobri com 11 anos os beatles e fiquei viciado. Ganhei um toca-discos da minha avó e vários discos dela. Coleciono só dos Beatles uns 9 ou 10… essa influência não veio do meu pai, eu que aprendi sozinho mesmo, por causa da internet”.

Pedro Arthur, colecionador de vinis
(Foto: Arquivo Pessoal/Pedro Artur Guimarães)
(Foto: Arquivo Pessoal/Pedro Artur Guimarães)

Seja pela qualidade técnica que encanta maestros, pela preservação histórica ou pela curiosidade dos jovens que buscam uma pausa no imediatismo digital, o vinil provou que não é apenas moda. Em abril de 2025, o Record Store Day teve sua edição mais bem-sucedida em quase duas décadas.


No fim das contas, o vinil nos ensina a ouvir com paciência. entre capas que são obras de arte e o chiado da agulha, ele segue unindo avós e netos em torno de uma mesma vitrola. Porque algumas histórias são boas demais para serem apenas transmitidas por dados; elas precisam ser tocadas, sentidas e guardadas na estante da vida.

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