Cantor de MT encara mais de mil km em Kombi e coleciona perrengues até chegar a Barretos
Célio Oliveira deixou Várzea Grande a bordo da “Boneca Cobiçada”, passou 24 horas na estrada e ficou mais de duas horas parado sobre uma ponte após o combustível acabar.
O cantor sertanejo Célio Oliveira, de 32 anos, encarou mais de mil quilômetros entre Várzea Grande e Barretos (SP), a bordo de uma Kombi personalizada para participar da tradicional Festa do Peão. No caminho, o grupo ficou sem combustível em cima da ponte sobre o Rio Paraná e precisou esperar mais de duas horas por socorro.

Natural de Alvorada do Oeste (RO), Célio mora em Várzea Grande há quase dois anos. Segundo o cantor, a mudança para Mato Grosso foi motivada justamente pela busca por espaço na música. “Eu vim para cá em busca do meu sonho mesmo, cantar. E hoje eu moro em Várzea Grande”, contou ao Primeira Página.
A companheira de estrada também ganhou nome próprio. A Kombi foi batizada de “Boneca Cobiçada” e preparada para enfrentar o percurso até o interior de São Paulo.
Antes da viagem, Célio apresentou o veículo aos seguidores e contou que faria uma apresentação antes de colocar os equipamentos na Kombi e pegar a estrada. “Não é qualquer Kombi não, viu? É a Boneca Cobiçada. Esse foi o nome que a gente deu para ela”, disse.
De um show direto para Barretos
Antes de seguir viagem, Célio ainda se apresentou e, depois do show, desmontou os equipamentos, colocou tudo na Kombi e partiu acompanhado por outros dois parceiros.
Durante o trajeto, o cantor registrou momentos da viagem, com paradas para alimentação, abastecimento, chuva e os inevitáveis pedágios.
Em um dos vídeos, brincou que um dos companheiros não resistiu ao sono. “Um dos nossos companheiros arregou, capotou, gente, dormiu praticamente a viagem inteira”, contou.
Célio também chegou a descansar no banco traseiro durante parte do percurso. Ao todo, segundo ele, foram cerca de 24 horas entre a saída de Várzea Grande e a chegada a Barretos.
Gasolina acaba sobre ponte no Rio Paraná
O principal perrengue da viagem aconteceu já perto da divisa com São Paulo. A “Boneca Cobiçada” ficou sem gasolina justamente sobre a ponte do Rio Paraná.
Segundo Célio, o grupo pretendia atravessar a divisa para abastecer em São Paulo, onde acreditava que encontraria combustível mais barato. A conta, porém, não fechou. “A gente queria abastecer já em outro estado, pois a gasolina seria mais barata. Mas não deu para chegar e a gente acabou a gasolina em cima da ponte”, contou.

O grupo permaneceu mais de duas horas parado no local, à espera do socorro.
Apesar do contratempo, Célio fez questão de esclarecer que a Kombi não apresentou nenhum problema mecânico durante a viagem. “A única pane que deu foi uma pane seca. Problema mecânico, graças a Deus, não deu nenhum”, afirmou.
No vídeo publicado durante o trajeto, ele também brincou com a situação e tirou a responsabilidade da “Boneca Cobiçada”. “Não é isso que vocês estão pensando, a Kombi não deixou nós na mão. Foi nós que deixou ela, gente”.
Depois da chegada do socorro, o veículo foi levado até um posto, abastecido e o grupo pôde continuar a viagem.
E a história dos faróis apagando?
Outro vídeo publicado por Célio chamou atenção ao mostrar o grupo contando que os faróis da Kombi teriam apagado durante uma descida. No relato, eles chegaram a brincar que o veículo estaria a “mais de 200”.
Mas, em entrevista ao Primeira Página, o cantor esclareceu que a história fazia parte de uma piada feita pelo grupo. “Esse vídeo foi uma piada que a gente fez. O pessoal estava perguntando se a Kombi andava muito. A gente falou que ela correu tanto que apagou os faróis porque a gente tinha ultrapassado o farol. Foi só uma piada”, explicou.
Ou seja: nada de pane elétrica ou Kombi voando estrada abaixo. O único problema real durante o percurso foi mesmo a falta de gasolina.
24 horas depois, Barretos
Com as mais de duas horas de espera sobre a ponte, Célio estima que a viagem tenha levado cerca de 24 horas. “Nós gastamos 24 horas saindo daqui de Várzea Grande até lá. Mas eu creio que essas 24 horas foi por causa das duas horas que a gente ficou parado em cima da ponte esperando socorro”, disse.

Depois do perrengue, o grupo finalmente chegou a Barretos e entrou no Parque do Peão, onde a programação já estava em andamento.
A viagem também terminou com o objetivo cumprido. Célio se apresentou em um dos palcos alternativos da Festa do Peão, espaço voltado a artistas independentes, e levou seu trabalho ao público do evento.

Para quem deixou Rondônia e escolheu Várzea Grande para tentar avançar na carreira musical, a viagem na “Boneca Cobiçada” acabou reunindo duas histórias em uma: o perrengue de atravessar mais de mil quilômetros de Kombi e a oportunidade de cantar em Barretos.
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