De malas prontas: Orquestra Indígena embarca para conquistar Europa
Grupo irá representar o Brasil em evento diplomático
Levando a música sul-mato-grossense para os territórios europeus como Portugal e Espanha, a Orquestra Indígena inicia uma turnê internacional nesta quarta-feira (20). A comitiva é formada por 17 jovens, que irão mostrar para o mundo a música regional.
Thiago é integrante da orquestra e toca violino há nove anos, e não esconde a emoção, mesmo com tudo pronto para a primeira viagem internacional.
“Um pouco de nervosismo com essa viagem. Confesso que estou um pouco ansioso para tocar na Europa. Muita alegria, pra mim, representar minha etnia, não só etnia, mas um povo que luta desde sempre pelos seus direitos. Pra mim é gratificante, tenho muito orgulho disso.”
Thiago Francisco Pereira, 18 anos
Já Heitor, de 16 anos, faz parte do grupo há seis anos. Iniciou no violino, mas se encantou mesmo com o piano, seu instrumento favorito. Após levar música a diversas cidades do estado, chegou a hora de expandir os horizontes.
“Eu posso dizer até que 100% da minha vida desde quando eu era pequenininho, foi música. Música e Heitor não dá para separar. São duas coisas quase juntas. Quando estou tocando, a gente passa nos nossos treinos, a gente ensaia das 13h da tarde até às 16h30. Mas parece que passa 30 minutos e acabou o ensaio.”
Heitor Veron, 16 anos
Eduardo Martinelli, maestro da orquestra há mais de 10 anos, também é um dos idealizadores do espetáculo “Arapy Aguasu – Sinfonia Entre Dois Mundos”, que possui duração de 1 hora, e possui elementos tradicionais da música indígena, sobretudo, da cultura Terena, etnia com maior número de integrantes na orquestra.
“Essa preparação, na verdade, começou há quase 10 anos, eles eram todos criancinhas no projeto da aldeia urbana Darcy Ribeiro, quando a Fundação Zahran levou educação humana, educação musical e acho que a gente nem imaginava que duraria tanto tempo.”
Eduardo Martinelli, maestro da orquestra indígena
A turnê internacional marca a comemoração de 200 anos do tratado de paz e amizade entre Brasil e Portugal. Jardel Tartari, professor e coordenador da orquestra, comentou sobre a importância da representatividade indígena neste marco.
“Esse grupo tem uma representatividade nacional muito grande. Estamos indo para a Europa como orquestra indígena brasileira. Acho que não tem nada mais representativo que levar a nossa cultura originária, esses jovens que representam toda a energia da ancestralidade, dos povos originários do nosso país, e representando o nosso povo realmente brasileiro com esse grupo.”
Jardel Tartari, professor e coordenador da orquestra
A última apresentação da orquestra foi na tarde da última terça-feira (19), durante a inauguração do CEU (Centro de Artes e Esportes) do bairro Lageado, em Campo Grande. O grupo mostrou um pouco do repertório que será levado à Europa, e a ministra da cultura, Margareth Menezes, acompanhou.
“Você vê uma orquestra indígena daqui indo para outros lugares, levando a cultura brasileira, porque a cultura brasileira tem essa diversidade. Investir em cultura gera emprego, gera movimento da economia criativa e a gente precisa tirar melhor proveito dessa força brasileira, que é a nossa cultura, nossa arte.”
Margareth Menezes, ministra da cultura
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