De MS ao Japão: Mariana Matsui conquista sucesso internacional com música brasileira
Cantora nascida em Dourados faz sucesso na Ásia unindo culturas e músicas
A cantora e compositora Mariana Matsui tem construído uma trajetória que conecta Mato Grosso do Sul ao Japão, unindo influências culturais e musicais em uma carreira que ganha projeção internacional. Nascida em Dourados, a artista iniciou o contato com a música ainda na infância.

O interesse surgiu cedo, impulsionado também pelas referências familiares e pela convivência com a cultura japonesa dentro de casa.
“Quando eu tinha três pra quatro anos, nos anos 90, o vídeo que bombava muito era de karaokê, e nessa época eu já demonstrava muito interesse pela música. Minha mãe conta que eu já era afinada, que eu decorava músicas sem nem saber ler”, relembra.
Filha de descendentes japoneses, Mariana cresceu em um ambiente marcado por tradições e costumes herdados da família, especialmente da avó, natural de Hokkaido.
“Sempre cultivamos os costumes, a tradição, a culinária. Eu assistia muita televisão japonesa com ela, e isso me aproximou da música e da cultura como um todo”, conta.
Aos oito anos, passou a estudar canto e se apresentar em eventos da comunidade nipo-brasileira, participando de atividades em diferentes cidades.
“Sempre foi uma certeza de que eu queria seguir na música. Era uma constância na minha vida, aprender coisas novas, estudar e me desenvolver”, afirma.
Em busca de formação profissional, mudou-se para São Paulo, onde estudou canto popular e violão no Conservatório Souza Lima & Berklee College of Music. Na capital paulista, consolidou a base na música brasileira, que hoje dialoga com outras influências.

A partir de 2021, Mariana ampliou sua atuação no Japão, onde viveu por alguns anos. A experiência, segundo ela, foi fundamental para compreender a cultura local de forma mais profunda.
“Uma coisa é visitar, outra é morar. Eu me senti muito valorizada lá através do meu trabalho. Eles respeitam muito o artista, levam o profissionalismo a sério, a pontualidade, o coletivo. São valores que eu tento incorporar no meu trabalho”, destaca.
Ao mesmo tempo, a artista ressalta o contraste cultural. “Eu sentia falta da malemolência do brasileiro, da arte de improvisar. É como se fosse uma chavinha que você liga quando está aqui e quando está lá”, explica.
A consolidação da carreira no Japão veio aos poucos, em meio a desafios como a pandemia e a adaptação ao mercado local.
“Comecei do zero, fui plantando minhas sementinhas, fazendo contatos. Hoje sou muito grata por ver o mercado japonês absorvendo meu trabalho”, diz.
Entre os principais obstáculos, ela cita a rotina intensa e a adaptação ao fuso horário. “Até chegar lá, o corpo demora uns cinco dias para ajustar. E muitas vezes já chego com show marcado, então é um desafio grande”, relata.
O reconhecimento internacional também se reflete nos lançamentos. Em janeiro de 2023, Mariana lançou o single de estreia “REZA”, que alcançou o primeiro lugar na parada R&B/Soul do iTunes na Holanda e entrou no Top 50 geral da plataforma. No mesmo ano, lançou “Signs”, com participação de Shing02, em edição limitada em vinil.

Agora, a artista se prepara para um novo momento da carreira com o lançamento do single “Kawa no nagare no yō ni”, previsto para 1º de maio.
A faixa é uma releitura de um clássico da música japonesa e conta com a participação de Lisa Ono. A canção integra o álbum de estreia de Mariana, com lançamento previsto para 2026.
O projeto será acompanhado por uma agenda de apresentações no Japão, incluindo festivais, programas de rádio e eventos em espaços como o La Folle Journée Tokyo e a rádio J-WAVE 81.3 FM.
Para Mariana, a trajetória entre Brasil e Japão vai além da carreira artística e carrega também um significado pessoal.
“Poder honrar meus ancestrais, conectar o passado com o que estou construindo hoje, é motivo de muita alegria. Quero seguir escrevendo minha história com esse propósito”, conclui.
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