Estudantes de Cinema da UFMT gravam videoclipe no Centro Histórico de Cuiabá ao som da Banda Calorosa; veja os bastidores

A produção independente foi feita por estudantes do curso de Cinema da UFMT e reúne dança, lambadão, funk e referências da cultura cuiabana em uma homenagem à cidade.

O Centro Histórico de Cuiabá virou cenário para dança, música e diferentes referências da cultura mato-grossense em um videoclipe produzido por estudantes do curso de Cinema da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O trabalho, inspirado na música “Sem Moagem”, da Banda Calorosa, já superou a marca de 40 mil visualizações e tem conquistado principalmente o público jovem.

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Centro Histórico foi um dos principais cenários do videoclipe da banda Calorosa. – Foto: Henrique Rodrigues

A produção nasceu dentro da disciplina Projeto de Extensão 4, ministrada pelo professor Alessandro Flaviano, com a proposta de desenvolver coletivamente um projeto audiovisual. Em vez de seguir por caminhos mais tradicionais, os estudantes decidiram “sair da casinha” e apostar na produção de um fan clipe para uma banda que tivesse forte relação com a identidade cuiabana. 

Diretor do trabalho, o estudante Victor Novato conta que a ideia surgiu justamente do desejo de produzir algo que ultrapassasse os formatos acadêmicos mais convencionais. Entre as referências utilizadas pelo grupo estavam o filme “Corpo que Dança”, do produtor audiovisual mato-grossense Luiz Leite.

“Eu já pensei na Banda Calorosa, porque é uma banda que eu gosto bastante. Pensei: ‘Cara, eu acho que o pessoal vai topar’, até porque sempre estou nos shows, na maioria dos shows, no caso. Também já fui figurante no clipe ‘Malemá Tentiano’ deles, então a gente tem uma troca bem legal. Levei a ideia, o pessoal gostou e a gente falou: ‘Bora fazer’. A partir daí, começamos os primeiros passos da pré-produção, inicialmente só entre nós mesmos”, conta o diretor em entrevista ao Portal Primeira Página.

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O videoclipe foi rodado em duas diárias e reuniu diversos estudantes e colaboradores. – Foto: Felipe Leão

A proposta, então, foi trazer esse olhar para Cuiabá. O objetivo era construir uma espécie de “cartão-postal” da cidade a partir dos lugares e das referências que fazem parte do cotidiano dos próprios estudantes.

A ideia inicial incluía outros pontos da cidade, como a Feira do Porto, a Orla e o Parque das Águas. As limitações de uma produção independente, porém, fizeram com que a equipe adaptasse o projeto. Com mais de 14 pessoas envolvidas, o grupo concentrou as gravações no Centro Histórico e utilizou o Museu da Imagem e do Som de Cuiabá (MISC) como um dos cenários.

As filmagens aconteceram em dois domingos. Para uma das cenas, a produção reuniu dezenas de figurantes, mobilizados pelas redes sociais da própria banda. O resultado foi um clipe que coloca diferentes corpos, dançarinos e personagens em diálogo com os espaços históricos da cidade.

A escolha não foi apenas estética. Para os realizadores, ocupar o Centro Histórico também era uma forma de aproximar a relação entre a produção artística e o território cuiabano.

“A gente discutiu recentemente sobre produções feitas em Cuiabá que, às vezes, não parecem ser Cuiabá. Percebo que a gente tem essa ideia de mostrar também as coisas regionais, porque a gente sabe que existe esse desejo de mostrar culturalmente Cuiabá para outras pessoas, de uma forma que agregue valor à nossa cultura”, complementou o diretor.

Algumas cenas foram gravadas no meio de uma das principais avenidas de Cuiabá. – Vídeo: Reprodução

Música, dança e identidade

A música “Sem Moagem”, lançada pela Banda Calorosa em outubro de 2025 em parceria com o DJ Xinn Beats, já carregava em sua sonoridade o encontro entre o lambadão cuiabano e os beats do funk. No clipe, essa mistura ganha uma dimensão visual por meio da dança e da ocupação dos espaços da cidade.

Karola Nunes, uma das vocalistas da Banda Calorosa, afirma que a proposta chamou a atenção justamente por dialogar com o caminho artístico que o grupo vem construindo: falar sobre o território e fazer com que a identidade mato-grossense esteja presente não apenas na música, mas também nas imagens que acompanham o trabalho.

Para ela, o audiovisual se tornou uma extensão da própria expressão artística da banda. A cantora também destaca o momento vivido pelo audiovisual produzido em Mato Grosso. Na avaliação dela, diferentes artistas e coletivos têm criado trabalhos que conseguem falar sobre o estado a partir de perspectivas próprias, ao mesmo tempo em que apresentam essas referências para quem está de fora.

“Quando a gente recebeu o roteiro foi incrível. Muito porque a gente já achou muito boa essa ideia de mostrar os pontos da cidade, e combinar ali na Praça da Mandioca. Acho que reafirmar, né, essa nossa identidade territorial ali enquanto artistas de um lugar mesmo. É uma é uma proposta muito forte da Calorosa. Quando a galera falar de Calorosa, a galera entender que é uma banda de Mato Grosso”, contou a cantora em entrevista ao Portal Primeira Página.

Veja o clipe completo:

Para Karola, a realização do projeto é recebida também como uma homenagem não só para a banda, que ganha um clipe novo, mas também para todo cuiabano e mato-grossense que pode enxergar no videoclipe um pouco da sua identidade.

“Quando surge um convite para participar de algo orgânico e genuíno, como foi a proposta do pessoal, é uma alegria, uma surpresa muito boa. Saber que a galera estava despejando energia, desejo e intenção de fazer uma homenagem para a banda, pô… Não é todo dia que você ganha um clipe lindão, feito com tanta competência, delicadeza e atenção”, acrescentou a vocalista.

Lambadão para além dos estereótipos

A dança também ocupa um papel central no clipe. Um dos participantes da produção, o bailarino e ator Ismael Dinizl, destaca que o audiovisual pode funcionar como uma ferramenta para ampliar o alcance de manifestações culturais que já fazem parte da vida mato-grossense, mas que ainda carregam preconceitos.

Para ele, colocar o lambadão em diálogo com o funk, com a dança e com o audiovisual ajuda a apresentar o gênero para diferentes públicos e gerações. O objetivo, segundo Ismael, é fazer com que manifestações como o lambadão possam ser conhecidas, experimentadas e valorizadas por quem ainda não teve contato com elas.

“A gente consegue, através do audiovisual, ter essa ferramenta de aproximar e chegar a mais pessoas e também, de certa forma, quebrar alguns estereótipos que o lambadão tem dentro do próprio território. E deixar isso palpável para todo mundo ter interesse em dançar. Acredito que, quando todas as linguagens e os meios de manifestação e de fazer arte começam a se nutrir, sempre tem bons resultados”, contou o bailarino em entrevista.

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Os figurinos foram pensados para refletir cores e elementos que retomam a identidade regional e nacional. Foto: Henrique Rodrigues

A presença da dança também reforça a diversidade do trabalho. O clipe reúne diferentes corpos e pessoas em um mesmo espaço, criando um contraponto entre a pluralidade dos participantes e a paisagem histórica de Cuiabá.

Uma produção independente que ganhou repercussão

Apesar das limitações de orçamento, o projeto acabou superando as expectativas dos próprios estudantes. Victor conta que a turma não imaginava que o resultado teria uma repercussão tão positiva.

Além das 42.723 visualizações, o grupo já considera inscrever o trabalho em festivais e pretende continuar movimentando o projeto ao longo dos próximos meses. Para os envolvidos, o resultado também demonstra a força de uma produção construída de forma coletiva.

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