Morre Guto Graça Mello, produtor musical que revolucionou as trilhas sonoras da TV
Responsável por sucessos históricos como 'Gabriela' e 'Pecado Capital', diretor estava internado no Rio após sofrer uma queda. Ele foi peça-chave na carreira de ícones como Cazuza e Xuxa.
O cenário musical brasileiro perdeu Augusto César Graça Mello, conhecido nacionalmente como Guto Graça Mello. O produtor e diretor musical morreu aos 78 anos, nesta terça-feira (5), no Rio de Janeiro.
Guto estava internado no Hospital Barra D’Or, na Zona Oeste da cidade, há pouco mais de um mês, após sofrer uma queda. De acordo com a família, o produtor foi vítima de uma parada cardiorrespiratória. Ele deixa a esposa, a atriz Sylvia Massari, duas filhas e dois enteados.

Nas redes sociais, Sylvia vinha compartilhando mensagens de esperança e carinho durante o período de internação. “Na alegria e na tristeza… te amo!”, escreveu a atriz em uma de suas últimas postagens.
De herdeiro artístico a mago das trilhas
Nascido em 29 de abril de 1948, em uma família mergulhada na arte — filho dos atores Stella e Octávio Graça Mello —, Guto chegou a cursar arquitetura, mas a música falou mais alto. Após estudar violão e passar pela escola ProArte, começou a compor ainda nos anos 1960, tendo canções gravadas por estrelas do porte de Elis Regina e Nara Leão.
Sua trajetória na TV Globo começou em 1972, no programa “Viva Marília”. No ano seguinte, assinou sua primeira trilha de novela, “Cavalo de Aço”. Em entrevista ao g1 em 2020, ele relembrou o início com autocrítica e bom humor: “Eu odeio essa trilha com todas as forças até hoje, porque ela era 100% equivocada. Eu não tinha noção de como era fazer novela”.
Criador de fenômenos
A “falta de noção” inicial deu lugar a uma genialidade que moldou o mercado fonográfico brasileiro. Guto foi o responsável por alinhar a música à narrativa dramática, transformando discos de novelas em itens essenciais nos lares brasileiros. Entre seus feitos mais marcantes estão:
- Gabriela (1975): Encomendou a abertura clássica a Dorival Caymmi e apostou em “Alegre Menina”, na voz de um então jovem Djavan.
- Pecado Capital (1975): Montou a trilha em apenas três dias. Foi ele quem pediu a Paulinho da Viola uma música de abertura; o sambista compôs o hino “Dinheiro na mão é vendaval” em poucas horas.
- Som Livre: Como gerente geral da gravadora, foi peça fundamental no lançamento de fenômenos como Cazuza, Lulu Santos e o primeiro disco da Xuxa, que vendeu milhões de cópias.
Legado
Com mais de 500 discos produzidos — incluindo trabalhos de Roberto Carlos, Rita Lee e Maria Bethânia —, Guto Graça Mello também deixou sua marca no cinema (com mais de 30 trilhas) e na memória afetiva do telespectador ao compor o tema de abertura do “Fantástico”.
Mesmo após deixar a Globo e a Som Livre em 1989, Guto permaneceu ativo na indústria, produzindo jingles e trilhas. Nos últimos anos, mantinha o hábito de acompanhar as produções atuais como um espectador atento, sempre observando a evolução da área que ele mesmo ajudou a criar.
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