O caso de racismo que se transformou num grande sucesso

Uma das músicas mais conhecidas do Brasil foi fruto de um caso real de racismo.

A inspiração pode aparecer de várias maneiras. Da observação, da alegria, do amor, da euforia e claro, também da dor.

Uma das coisas que fazem dos artistas pessoas especiais é que eles são os catalisadores da humanidade. Artistas são capazes de transformar sentimentos ruins em obras que vão provocar sentimentos bons. Tipo a árvore que absorve gás carbônico e espalha oxigênio.

A maneiro como cada artista reage diante de um sentimento é o que os torna autênticos. 

Uma das músicas mais conhecidas do Brasil, por exemplo, é fruto de uma experiência de racismo. 

Quando o racismo se transformou em música

O cara que escreveu essa música foi com um amigo numa exposição de escolas públicas no estádio de Remo da Lagoa, no Rio de Janeiro. Chegou lá com cabelo Black Power, roupas simples e logo foi abordado por um policial que o levou para uma sala de averiguações.

Ele conta que lá dentro, os policiais começaram a fazer piadas com o cabelo dele, com a roupa que ele estava vestindo e ainda disseram que onde ele morava só tinha negro, pobre e bandido. 

Depois dessa ele não se aguentou e falou para os policiais:

O sangue que corre na sua veia corre na minha também, é vermelho e você está com preconceito.”

Depois disso jogaram ele no camburão e ficaram circulando das três da tarde a uma da manhã e ainda levaram ele para dormir na cadeia. 

No outro dia, depois que ele foi liberado, ele não quis ir para casa, estava muito revoltado, preferiu ir encontrar com o mar. 

E aí de frente com o mar do Leblon, a letra dessa música veio toda na cabeça dele:

“Os meus olhos coloridos
Me fazem refletir
Eu estou sempre na minha
E não posso mais fugir

Meu cabelo enrolado
Todos querem imitar
Eles estão baratinados
Também querem enrolar

Você ri da minha roupa
Você ri do meu cabelo
Você ri da minha pele
Você ri do meu sorriso

A verdade é que você
Tem sangue crioulo
Tem cabelo duro
Sarará crioulo”

Quem passou por isso foi o compositor de “Olhos Coloridos” Oswaldo Rui da Costa, o grande Macau.

Macau
Macau, compositor de “Olhos Coloridos”

Ouça “Olhos Coloridos” com Sandra De Sá:

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Este conteúdo reflete, apenas, a opinião do colunista Toca Raul, e não configura o pensamento editorial do Primeira Página.

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