O judeu alemão que fez nascer a maior música brasileira fugindo do nazismo
Existem várias versões sobre como a maior música brasileira surgiu. Essa é uma das mais incríveis e menos conhecidas.
Esse judeu alemão era fotógrafo e nem sonhava que ia transformar a música brasileira pra sempre enquanto fugia dos nazistas.
Em 1941 a coisa tava complicada na Alemanha pros judeus. Pra não morrer, esse cara precisava se refugiar em algum lugar.

O refúgio no Brasil e a morada no Rio De Janeiro
Chegando no Brasil, por algum motivo, confiscaram todos os equipamentos de fotografia dele.
Sem conhecer ninguém, foi morar no Hotel Novo Mundo, no Rio De Janeiro. Depois de uma semana o dinheiro dele acabou, colocaram ele pra fora e ele teve que ir dormir na rua.
Na terceira noite dormindo na Praça do Lido, um dos diretores do Copacabana Palace passou por lá e resolveu conversar com ele. Descobriu que ele era fluente em vários idiomas, que era fotógrafo e aí resolveu indicar o judeu pra um emprego no Cassino da Urca pra fotografar a plateia.
Como ele falava várias línguas, virou intérprete do cassino e fez contato com muitos artistas internacionais. Alguns anos depois o cassino fechou e o judeu foi pedir emprego no Copacabana Palace. Virou o relações públicas do hotel.
Por causa dos contatos que ele fez no cassino, colocaram ele pra ser diretor artístico do Golden Room, um salão lendário do Copacabana Palace que recebia grandes shows internacionais.
Ali o judeu fez o nome dele e se tornou um dos maiores promotores de shows do Brasil: Oscar Ornstein.

Foi nessa fase que Oscar Ornstein teve a ideia que se transformou na maior música brasileira de todos os tempos.
A encomenda de Oscar que transformou a música brasileira
O Oscar queria fazer um espetáculo musical chamado Blimp, que contava a história de um E.T. que descia com o disco voador numa praia do Rio de Janeiro e se apaixonava por uma carioca.
Então ele contratou dois caras pra escreverem as músicas e o roteiro desse musical. Esses dois tinham trabalhado juntos pela primeira vez alguns anos antes e tinha dado muito certo.
Sentaram de novo e começaram a compor a música pro momento em que o E.T. chegava na praia, se encantava pela carioca e cantava pra ela uma canção:
“Quando na tarde vazia
Tão triste no espaço
Eu vi a menina
Que vinha num passo
Cheia de balanço
Caminho do mar“
Tom Jobim e Vinicius de Moraes, pensando no caso romântico interplanetário de um E.T. com uma carioca, começaram a escrever a letra da maior música brasileira de todos os tempos.

A segunda parte de Garota de Ipanema ficou exatamente como foi escrita para o musical do E.T., é o E.T. cantando, apaixonado, numa crise existencial:
“Ah, por que estou tão sozinho?
Ah, por que tudo é tão triste?
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha”
O musical Blimp acabou não indo pra frente e eles não finalizaram a música.
Até que algum tempo depois, a sogra do Cesar Tralli passou pra comprar cigarro pra mãe em frente ao Bar Veloso, e os dois se encantaram pela menina. Preciso dizer quem ela é?
Ficaram tão encantados com a menina que se inspiraram pra terminar a música que mudaria a história da música brasileira.
Em 1965 a gravação de Garota de Ipanema cantada por Astrud Gilberto no álbum Getz Gilberto venceu o Grammy de gravação do ano vencendo I Wanna Hold Your Hand dos Beatles.

Imagina se esse musical do E.T. tivesse ido pra frente?
Ouça “Garota De Ipanema” na versão cantada por Astrud, que venceu o Grammy de 1965:
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