O passeio de helicoptero pelas cataratas do iguaçu que virou sucesso nacional
A música foi feita em 15 minutos, ficou em segundo lugar num festival e provocou a maior vaia da história da música brasileira
Essa música virou um hino, mas foi tratada pela imprensa e por alguns artistas como lixo poético, segundo o compositor porque ele não se declarava de esquerda.
Ela foi feita em 15 minutos e o compositor acredita que foi psicografada.
O cara que fez essa música era filho de um diretor de uma grande farmacêutica. Ele tinha 12 anos e nessa época já brincava de fazer música.
O pai dele sempre viajava por causa da empresa e numa dessas viagens, ele foi junto. Foram pra Foz do Iguaçu e fizeram um passeio de helicóptero por cima das cataratas.
Ele ficou maravilhado com aquela imagem, com a força e a grandeza daquilo tudo.
Nessa hora o pai dele falou: “Filho, esse negócio aqui dá uma música fantástica, hein?” E esse momento nunca mais saiu da cabeça dele.

A porta que se fechou na gravadora
O menino cresceu e se tornou um cantor de sucesso. Mas nessa época, estava vivendo uma fase meio complicada da carreira.
As coisas não estavam indo bem na gravadora dele e ele precisou procurar outra gravadora. Mas quando ele chegou nessa outra gravadora, falaram pra ele que o momento dele já tinha passado. Que se ele tivesse vindo em outra época, talvez pudesse dar certo.
Ele ficou muito triste, não esperava aquele não depois de já ter feito sucesso.
Mas antes dele ir embora, o cara da gravadora contou que eles estavam gravando um disco com o Ney Matogrosso com o tema Amazônia e que se ele quisesse mandar alguma música com esse assunto poderia mandar. Mas precisava ser em três dias, porque já estavam fechando o disco.
Ele foi pra casa decepcionado, mas resolveu compor essa música pro Ney Matogrosso.
Quando ele sentou pra compor, algumas coisas vieram na cabeça dele.
Ele trabalhava num centro de umbanda, era médium. E uma vez um dos diretores do centro disse pra ele que ele era filho de mãe Oxum, que ele tinha alma feminina. E que ele tinha que fazer uma música para aquela mãe que regia o espírito dele.
Também veio a imagem das cataratas vista do helicóptero e a frase que o pai falou.
De repente, em 15 minutos, essa música inteira jorrou:
Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua
Na corrente do ribeirão

O ciclo das águas e a vaia do Maracanãzinho
O mestre Guilherme Arantes disse que escreveu essa Planeta Água pra um Brasil sertanejo, fez ela em guarânia, registrando todo ciclo divino das águas.
Águas que caem das pedras
No véu das cascatas, ronco de trovão
E depois dormem tranquilas
No leito dos lagos
No leito dos lagos
Sem esquecer da força dela, às vezes incontrolável.
Gotas de água da chuva
Tão tristes, são lágrimas na inundação
Mas que no auge da grandeza, se recolhe pra cumprir a missão.
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra
Depois que o Guilherme terminou essa música, mostrou pro amigo jornalista Okky de Souza e o Okky não deixou ele dar a música pro Ney Matogrosso gravar.
Falou que ele tinha que inscrever a música no Festival MPB Shell de 1981.
O Guilherme fez isso e “Planeta Água” ficou em segundo lugar, perdendo pra música “Purpurina”, cantada pela Lucinha Lins.
Quando o resultado foi anunciado, a Lucinha recebeu a maior vaia da história da música brasileira. O Maracanãzinho inteiro vaiando sem parar por 15 minutos.

É que pro público, “Planeta Água” já tinha sido campeã.
Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água
O Guilherme conta que a água é o elemento do Brasil e que por isso não libera versões dessa música em outros idiomas.
Será que ela teria feito sucesso com Ney Matogrosso?
Ouça “Planeta Água”:
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