Streaming domina, mas vinil ressurge: mercado de música cresce 14% no Brasil
Setor registra 16º ano seguido de alta puxado pelas plataformas digitais, enquanto mídias físicas surpreendem com avanço impulsionado pela nostalgia e pela valorização do vinil.
O avanço dos serviços de streaming segue como motor da indústria musical, mas um movimento curioso vem chamando atenção: o retorno das mídias físicas, especialmente do vinil. Esse contraste ajudou o mercado fonográfico brasileiro a atingir, em 2025, um faturamento de R$ 3,958 bilhões — alta de 14,1% em relação ao ano anterior.
Os dados foram divulgados, na última semana, pela Pró-Música Brasil, antes conhecida como Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD), que reúne as principais gravadoras e produtoras do país. Segundo a entidade, o desempenho consolida o Brasil como um dos mercados de música gravada mais dinâmicos do mundo.

O resultado também elevou o país à 8ª posição no ranking global da Federação Internacional da Indústria Fonográfica, avançando em relação aos anos anteriores — quando ocupava o 9º lugar em 2024 e o 10º em 2023. A sequência reforça uma trajetória consistente de expansão do setor.
Streaming X vinil e as mídias físicas
O crescimento segue ancorado no digital. Só em 2025, as plataformas de streaming responderam por R$ 3,4 bilhões em receitas, com 87%, uma alta de 13,2% em comparação com 2024. Segundo o presidente da Pró-Música Brasil, Paulo Rosa, esse avanço reflete o desenvolvimento contínuo do mercado digital desde o período de recuperação da indústria após a crise provocada pela pirataria, no início da década de 2010.
Ele destaca que o crescimento sustentado ao longo dos anos tem permitido investimentos tanto em artistas já consolidados quanto no lançamento de novos nomes — um processo mais arriscado, mas essencial para renovar o mercado.

Na contramão do domínio digital, as vendas físicas cresceram 25,6% em 2025 — ainda que representem menos de 1% do total de receitas. O principal responsável por esse salto é o vinil, que voltou a ganhar espaço entre consumidores e artistas. O formato passou de símbolo de obsolescência para item valorizado, impulsionado por fatores como nostalgia, colecionismo e estratégias de marketing.
De acordo com Paulo Rosa, o vinil mantém relevância dentro da indústria, especialmente como parte da construção de carreira de artistas e da experiência oferecida ao público. Ele avalia que formatos considerados ultrapassados podem retornar com força, impulsionados por novas demandas culturais e tecnológicas.
Direitos, criatividade e o papel das gravadoras
O relatório também aponta crescimento na arrecadação de direitos conexos de execução pública, que beneficiam produtores, músicos e artistas.
Para a entidade, o avanço do setor reflete não apenas o ambiente digital favorável, mas também a criatividade dos artistas e o papel das gravadoras na estruturação do ecossistema musical. As empresas seguem atuando na descoberta de talentos, no investimento em carreiras e na criação de oportunidades que vão além da música gravada, como shows, publicidade e parcerias com marcas.
IA e fraudes preocupam o setor
Apesar do cenário positivo, desafios importantes permanecem. Entre eles, o avanço da inteligência artificial, que já impacta a produção musical.
Paulo Rosa avalia que a tecnologia pode transformar profundamente a indústria, mas alerta para riscos relacionados ao uso não autorizado de obras no treinamento de sistemas. Ele defende a criação de regras que garantam equilíbrio entre inovação e proteção dos direitos autorais.
Outro problema é a fraude no streaming. Segundo a Pró-Música Brasil, práticas ilegais que utilizam robôs para gerar reproduções artificiais de músicas podem distorcer a distribuição de receitas.
A entidade afirma que tem atuado no combate a essas irregularidades. Nos últimos anos, mais de 130 sites envolvidos nesse tipo de atividade foram derrubados ou interromperam operações — sendo 60 apenas em 2025.