AL analisa lei que regula uso de manta térmica após morte de cão em MT

PL foi apresentado após repercussão da morte da cadela Charlote, que foi queimada com manta em clínica

O projeto de lei que proíbe o comércio e uso de mantas térmicas sem termostato por clínicas veterinárias do estado, foi lido em sessão nessa quarta-feira (3) pela ALMT (Assembleia Legislativa de Mato Grosso). A pauta segue para Comissão de Constituição e Justiça e, caso aprovada, irá para sanção do governo.

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Charlote morreu após ser queimada por manta térmica. (Foto: Arquivo)

Conforme a justificativa, o objetivo é garantir a segurança e o bem-estar dos animais durante procedimentos médicos, uma vez que essas mantas não possuem controle de segurança para regular a temperatura corporal dos animais, o que pode levar a superaquecimentos e riscos à saúde.

O projeto entrou em discussão na AL após a cadela Charlote ter o corpo queimado devido ao uso de uma manta térmica em uma clínica de Cuiabá, em abril deste ano. O animal morreu após 17 dias.

A proposta de lei, do deputado estadual Júlio Campos (União), diz que as clínicas veterinárias deverão utilizar somente mantas térmicas com medidor de temperatura, que podem ser reguladas e controladas com segurança.

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Caso a clínica não possua esse tipo de aparelho, deverá utilizar outras formas seguras e eficazes para regular a temperatura corporal dos animais durante procedimentos médicos, como cobertores aquecidos com água quente, aquecimento da sala cirúrgica, cobertores térmicos sem fios elétricos, aquecedores infravermelhos e sistema de ar-condicionado com controle de temperatura.

As empresas que descumprirem a lei estarão sujeitas a multa aplicada pela autoridade competente, sanções previstas no Código de Ética Profissional para os médicos veterinários responsáveis e suspensão do alvará de funcionamento da clínica veterinária por um período de 30 dias em caso de reincidência.

O projeto precisa de sanção do governado Mauro Mendes (União) e entra em vigor no prazo de 90 dias, após publicado no Diário Oficial do Estado.

O caso Charlote

A cadela Charlote, da raça shih-tzu, morreu na última sexta-feira (28), após ter o corpo queimado por uma manta térmica. Charlote foi levada para uma clínica veterinária, em Cuiabá, para fazer uma cirurgia no olho, no dia 11 de abril e, durante o procedimento, houve um superaquecimento da manta causando queimaduras no cão.

A família disse que o veterinário deu alta à cadela e receitou uma pomada comum para queimaduras. Ao colocar o animal no carro, a família notou que Charlote chorava muito, momento em que um funcionário levou o cão de volta para a clínica.

Segundo a filha da tutora, ao entrar para vê-la, notou que ela não tinha recebido nenhum tratamento e decidiram retirar Charlote da clínica e levar para outro estabelecimento veterinário. Já em tratamento no outro local, a cadela morreu de parada cardíaca.

A Clínica Veterinária Bendita Pata informou por meio de nota que Charlote estava sob efeitos de medicações, como anti-inflamatório, antibiótico e analgésicos. Segundo o estabelecimento, a direção está apurando o ocorrido e tomando as providências necessárias para entender o que aconteceu com a paciente e se dispôs a arcar com os gastos na outra clínica.

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