Após ligação entre Lula e Trump, Brasil e EUA discutem tarifaço

Representantes dos dois países se reúnem por videoconferência em meio à disputa provocada pelas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Brasil e Estados Unidos vão retomar as negociações comerciais na próxima segunda-feira (31), em uma reunião virtual marcada para 14h30, no horário de Brasília. O encontro ocorre em meio à disputa provocada pelas tarifas impostas pelo governo norte-americano a produtos brasileiros.

Participam da conversa o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. A reunião foi confirmada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

A retomada das tratativas foi acertada após um telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, na última sexta-feira (21). A conversa durou cerca de uma hora e 20 minutos e abriu um novo canal de diálogo entre Brasília e Washington.

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Trump e Lula marcam reunião para debateram as relações comerciais entre os dois países. – Foto: Ricardo Stuckert / PR

Segundo o Palácio do Planalto, Lula defendeu durante a ligação a retomada das negociações e contestou as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a adoção das tarifas.

Entre os pontos levantados pelo governo norte-americano estão questões relacionadas a desmatamento, acordos comerciais preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importação de produtos associados a trabalho forçado.

O presidente brasileiro argumentou que as tarifas prejudicam os dois países e defendeu o diálogo como forma de preservar a relação comercial. Trump, por sua vez, concordou com a retomada dos contatos entre as equipes dos dois governos.

Tarifas atingem US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras

A negociação ocorre após uma sequência de medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.

Em julho, o governo norte-americano aplicou uma sobretaxa de 25% sobre diferentes mercadorias exportadas pelo Brasil.

A lista inclui produtos de ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, medicamentos, maquinário agrícola, máquinas elétricas e outros produtos manufaturados.

Posteriormente, uma tarifa adicional de 12,5% foi aplicada sobre outros produtos brasileiros. Nesse caso, os Estados Unidos alegaram que o país não adota mecanismos considerados suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Somadas, as tarifas atingem cerca de US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras para o mercado norte-americano, conforme levantamento do Mdic.

O governo dos Estados Unidos argumenta que determinadas práticas brasileiras prejudicam ou restringem o comércio de agricultores, trabalhadores, empresas de inovação e exportadores norte-americanos.

Brasil levou disputa à OMC

Diante das medidas, o governo brasileiro acionou o sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O Brasil argumenta que as tarifas são incompatíveis com regras internacionais de comércio. Os Estados Unidos aceitaram participar das consultas solicitadas pelo governo brasileiro no âmbito da organização.

Desde o início da disputa, o governo federal também tem destacado que os Estados Unidos registram superávit na relação comercial com o Brasil, ou seja, vendem mais produtos ao país do que compram.

A reunião de segunda-feira será, portanto, o primeiro passo da nova rodada de diálogo entre os dois governos depois da conversa entre Lula e Trump e deve colocar novamente as tarifas no centro das negociações.

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