Cassada como vereadora, petista assume cadeira na ALMT de verde e amarelo

Edna Sampaio se tornou suplente nas eleições gerais de 2022 e vai substituir o deputado Valdir Barranco que sai por 30 dias do mandato por um rodízio adotado do PT

A ex-vereadora Edna Sampaio (PT), que teve o mandato cassado na Câmara de Cuiabá, assumiu, nesta quarta-feira (13), uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Suplente, ela substitui o deputado Valdir Barranco (PT), que sai por 30 dias do mandato por um rodízio adotado pelo partido. Anteriormente, Barranco já tinha se afastado pelo mesmo motivo.

Edna Sampaio toma posse na ALMT 13 de agosto de 2025
Ex-vereadora cassada em Cuiabá, Edna Sampaio do PT tomou posse na ALMT. Foto: reprodução/YouTube ALMT

Durante coletiva de imprensa na manhã de hoje, Edna Sampaio destacou que a luta contra a violência de gênero será prioridade nos seus dias de gestão.

Além disso, ela anunciou que apresentará um requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os altos índices de feminicídios em Mato Grosso.

“Chego de cabeça erguida, como uma boa cuiabana que sou, como uma mulher negra que vive nesta terra há muitas gerações. Mato Grosso ocupa um triste campeonato no feminicídio e isso precisa mudar”, afirmou Edna. Veja abaixo o juramento institucional de posse da deputada Edna Sampaio:

Ações do mandato

Segundo Edna Sampaio, o requerimento de CPI que ela irá apresentar não será uma iniciativa individual, mas uma oportunidade para que a ALMT e a sociedade debatam o problema.

“Não é porque fracassamos até agora que temos que continuar fracassando. O fracasso é coletivo. Precisamos identificar onde estamos errando para preservar a vida de metade da população, composta por mulheres”, declarou.

Para ela, o enfrentamento ao feminicídio precisa ir além da repressão policial e destacou a necessidade de ações de prevenção para garantir segurança das mulheres.

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30 mulheres já foram vítimas de feminicídio em Mato Grosso em 2025. (Foto: reprodução)

“Quando uma mulher é assassinada, ela já passou por um ciclo de violência. É preciso atuar antes, prevenindo, garantindo segurança e oportunidades para que as mulheres possam exercer plenamente sua cidadania”.

Segundo dados do Observatório Caliandra, plataforma do Ministério Público Estadual, Mato Grosso já contabiliza 30 feminicídios neste ano.

Igualdade de gênero

Além da CPI, Edna disse que pretende apresentar projetos voltados para igualdade tributária de gênero, fortalecimento de políticas públicas de proteção à mulher, e ações que garantam participação feminina nos processos decisórios.

“Todas as pautas que vamos apresentar vão dialogar com a questão da relação da mulher com o poder, com a desigualdade que existe entre homens e mulheres na nossa sociedade e tem feito tantas vítimas”.

Cassação na Câmara de Cuiabá

Cassada por suposta prática de “rachadinha”, Edna Sampaio relembrou o processo que culminou na perda de seu mandado na Casa de Leis de Cuiabá. Ela teve o mandato cassado pela 1ª vez em 2023, retornou ao cargo por determinação da justiça, mas, em 2024, perdeu pela 2ª vez a cadeira na Câmara. No entanto, ela não perdeu os direitos políticos e ainda mantinha seu carga de suplente de deputada, conquistada nas eleições gerais de 2022.

Em ambos processos, o motivo foi suposta prática de rachadinha. Ainda em 2024, ela tentou concorrer nas eleições municipais ao cargo de vereadora em mandato coletivo, mas foi impedida pela Justiça que considerou sua cassação.

Edna Sampaio é autora da denúncia que levou à cassação do vereador Tenente-coronel Paccola. (Foto: Assessoria)
Edna Sampaio foi cassada duas vezes na Câmara de Cuiabá. (Foto: assessoria)

Edna reafirma até hoje que foi vítima de violência política, racismo e misoginia por parte dos vereadores favoráveis a sua cassação.

“Fui condenada sem qualquer prova. Sofri uma violência machista, racista, que me tirou o mandato e acionou na cabeça das pessoas o racismo estrutural, no qual a pessoa negra não é suspeita: é sempre culpada. Fui condenada antes de ter um julgamento justo”, alegou.

Convivência com adversários

Sobre a convivência com adversários políticos, como o deputado Gilberto Cattani (PL), Edna assegurou que manterá a postura de respeito, mas sem abrir mão de suas posições.

“Tenho o direito de ser de esquerda, de falar o que penso e de exercer meu mandato com autonomia. Vim de verde e amarelo para dizer que sou brasileira, sou patriota, luto por direitos e pela democracia, e quero vestir as cores da nossa bandeira porque todos nós merecemos viver em uma sociedade justa que respeite as diferenças, finalizou.

Leia mais

  1. Com 19 votos a favor, vereadora Edna Sampaio é cassada pela 2ª vez

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