Controlador nega investigação da CGE contra deputados e ALMT convoca delegada

Paulo Farias prestou esclarecimentos após divulgação de matéria nacional que cita 14 parlamentares em suposto esquema de fraude com emendas parlamentares

O controlador-geral de Mato Grosso, Paulo Farias, foi interrogado, nesta quinta-feira (26), pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) após repercussão de uma reportagem nacional que aponta o envolvimento de 14 deputados estaduais em supostas fraudes relacionadas à execução de emendas parlamentares.

A convocação foi feita pelo deputado Carlos Avallone (PSDB) e aprovada por unanimidade pelos parlamentares. Durante a oitiva, realizada na sala das comissões, o controlador foi questionado sobre a origem dos documentos utilizados na reportagem veiculada pelo UOL sobre irregularidades em contratos vinculados à Secretaria Estadual de Agricultura Familiar (Seaf). Veja abaixo trecho do vídeo do depoimento:

Controlador-geral do Estado de Mato Grosso presta esclarecimentos à ALMT. (Vídeo: reprodução)

Segundo a reportagem, os documentos teriam sido produzidos pela Controladoria-Geral do Estado (CGE) e vazados à imprensa. Farias negou que haja investigação formal contra parlamentares por parte da CGE.

“Em nenhum relatório da CGE são citados nomes de deputados estaduais. O trabalho é técnico e voltado para o acompanhamento de gastos públicos. Se houver algo suspeito, cabe à polícia ou ao Ministério Público investigar”, afirmou o controlador, que também negou qualquer envolvimento da CGE no vazamento dos documentos.

Ele explicou que os trabalhos da Controladoria não têm como alvo inicial os deputados, mas sim transações bancárias irregulares, que são analisadas de forma técnica. Caso surjam indícios de crimes, as informações são então encaminhadas aos órgãos competentes para investigação.

Parlamentares mencionados na reportagem cobraram do governo do Estado a abertura de uma investigação interna para apurar o vazamento de informações.

Em meio à repercussão, o governador Mauro Mendes (União) também se pronunciou, destacando que os relatórios da CGE não fazem menção a nomes de parlamentares. “A CGE não fez nenhuma acusação a nenhum deputado. Ela identificou o sobrepreço e apontou aquilo num relatório, mas não entrou no mérito, no nome de nenhum deputado”, afirmou o governador, que estava em missão oficial no exterior quando o caso veio à tona.

Delegada será ouvida

Além do controlador, a Assembleia também aprovou a convocação da delegada Juliana Rado, titular da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), responsável pelas investigações da chamada Operação Suserano. A oitiva está marcada para o dia 1º de julho, às 14h.

A operação teve início em setembro de 2024 e mira supostos desvios de recursos em convênios firmados pela Seaf com associações e entidades no interior do estado. A fase mais recente da investigação, revelada pela reportagem amplia o escopo do caso ao envolver nomes de parlamentares, além de um secretário da atual gestão e um prefeito. O conteúdo do relatório segue sob sigilo.

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