CPI da Covid: Bolsonaro e médico de MS estão entre 68 pedidos de indiciamento

O relatório da CPI da Covid do Senado foi apresentado oficialmente nesta quarta-feira (20). O documento apresentado pelo relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), sugere o indiciamento de 66 pessoas e duas empresas. Entre elas, o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o presidente do CFM (Conselho Federal de Medicina), Mauro Ribeiro, que é médico em […]

O relatório da CPI da Covid do Senado foi apresentado oficialmente nesta quarta-feira (20). O documento apresentado pelo relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), sugere o indiciamento de 66 pessoas e duas empresas. Entre elas, o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o presidente do CFM (Conselho Federal de Medicina), Mauro Ribeiro, que é médico em Mato Grosso do Sul.

Leitura do relatório da CPI da Covid no Senado (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
Leitura do relatório da CPI da Covid no Senado (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

No relatório da CPI da Covid, Mauro Ribeiro foi enquadrado no crime de epidemia com resultado de morte, previsto no Código Penal. Isso porque, de acordo com o documento, o CFM avalizou o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina para tratamento precoce contra a covid-19, transferindo aos médicos “a responsabilidade pela prescrição desses medicamentos, mesmo tendo conhecimento da ineficácia do tratamento”.

Em vídeo direcionado aos médicos, Mauro Ribeiro afirmou que o CFM “nunca, jamais, em tempo algum, preconizou o tratamento precoce, tampouco proíbe o tratamento precoce” e que “essa questão foi extremamente politizada”.

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CPI da Covid e Jair Bolsonaro

O presidente da República, Jair Bolsonaro, foi acusado formalmente por nove crimes:

  • prevaricação;
  • charlatanismo;
  • epidemia com resultado morte;
  • infração a medidas sanitárias preventivas;
  • emprego irregular de verba pública;
  • incitação ao crime;
  • falsificação de documentos particulares;
  • crime de responsabilidade (violação de direito social e incompatibilidade com dignidade, honra e decoro do cargo);
  • crimes contra a humanidade (nas modalidades extermínio, perseguição e outros atos desumanos).

As acusações relativas aos crimes de homicídio qualificado e genocídio contra indígenas foram retiradas na véspera da apresentação do texto, pois não tiveram apoio de outros integrantes da CPI e havia dúvidas quanto à caracterização desses crimes.

CPI da Covid e os próximos passos

Renan Calheiros leu apenas uma pequena parte das 1.180 páginas do relatório, que identificou 29 tipos penais. Os pedidos de indiciamento incluem também deputados, empresários, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o atual titular da pasta, Marcelo Queiroga. Foram apontados ainda crimes cometidos por duas empresas: a Precisa Medicamentos e a VTCLog.

O relatório ficará disponível por uma semana aos demais integrantes da CPI da Covid. A votação está prevista para a próxima terça-feira (26).

Como a comissão do Senado Federal não tem o poder de determinar os indiciamentos, os pedidos serão encaminhados aos órgãos competentes, entre os quais a Procuradoria-Geral da República, aos ministérios públicos estaduais e ao Departamento de Polícia Federal. A eles caberá a decisão sobre levar os pedidos à Justiça.

CLIQUE AQUI PARA VER O RELATÓRIO COMPLETO DA CPI DA COVID.

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