De volta à Câmara de Cuiabá, vereadores negam propina e atacam denunciante
Chico 2000 e Sargento Joelson retomaram os mandatos após decisão judicial e negaram envolvimento em esquema de propina apontado pela Operação Perfídia
De volta à Câmara Municipal de Cuiabá após quatro meses, os vereadores Chico 2000 (PL) e Sargento Joelson (PSB) usaram a tribuna da Casa de Leis, nesta quinta-feira (4), para se manifestar pela primeira vez sobre o inquérito em que são investigados por suposto recebimento de propina.

Os parlamentares negaram ter recebido R$ 250 mil para favorecer a empresa HB20 Construções Eireli na aprovação de um projeto de lei e criticaram duramente o funcionário da construtora responsável pela denúncia, que resultou no afastamento temporário do Legislativo Cuiabano.
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Eles reassumiram as cadeiras hoje após decisão favorável da Justiça de Mato Grosso.

Joelson fortalecido
“Tenho a consciência tranquila. O atendimento que fiz para essa empresa foi o mesmo que sempre realizei durante os nove anos em que estou na Câmara. Venho trabalhar todos os dias para atender o munícipe. Se parar para analisar, é bem provável que eu seja um dos vereadores mais presentes nesta Casa”, afirmou Joelson, primeiro a se pronunciar.

O vereador explicou que o contato com a empresa ocorreu após receber reclamações sobre atrasos de até seis meses nos pagamentos de fornecedores e funcionários. A HB20, segundo ele, chegou a responsabilizar a Câmara pelos atrasos, devido a um projeto de lei pendente de votação.
“Entendi que havia um projeto parado que precisava da aprovação para o parcelamento do INSS, que ficou mais de 30 dias parado. Levei a questão ao presidente Chico e mostramos que o problema não era da Câmara”, disse Joelson.
Ele detalhou ainda a intensa comunicação mantida com o funcionário da empresa, informando que, mesmo após o pagamento por parte do município, os proprietários da HB20 paralisaram a obra e não quitaram as dívidas pendentes. Joelson afirmou que procurou o funcionário diversas vezes para cobrar o repasse aos servidores e fornecedores.
O vereador acrescentou que o prefeito Abilio Brunini (PL) também foi usado na situação, mas agiu como qualquer político faria ao receber uma denúncia. Segundo Joelson, o denunciante não procurou diretamente o Ministério Público ou a Polícia Civil, e a denúncia teria sido motivada por problemas internos na própria empresa.
“Vinte dias antes da denúncia, ele foi demitido e havia um inquérito aberto contra ele por suposto desvio de R$ 4 milhões recebidos da Prefeitura. Ele agiu para desviar a atenção e, possivelmente, obter vantagem financeira”, disse.
Joelson afirmou ainda que o episódio o fortaleceu pessoal e espiritualmente. “Isso me aproximou mais de Deus e me trouxe para os trilhos da parte espiritual. Estou muito mais forte do que há quatro meses e trabalhando para perdoá-lo”, concluiu.
Chico critica condução do inquérito
O ex-presidente da Câmara reforçou que não houve interferência ou favorecimento em relação à HB20. “Fui vítima dessa operação apenas por estar presidente na legislatura 23/24. O projeto em questão tramitou por 42 dias, passou por todas as comissões e atendeu às recomendações do Ministério Público. Todos os vereadores tiveram ciência e participação. Como poderia haver favorecimento?”, questionou, citando a atual legislatura como exemplo.

Ele comparou a tramitação com um projeto votado durante o recesso parlamentar em janeiro: “Entrou no dia 22, foi convocada uma sessão extraordinária, aprovada no dia 24 e sancionada no mesmo dia. Alguém foi beneficiado?”
Chico também criticou a condução do inquérito policial, apontando desconhecimento sobre processos legislativos: “Se a equipe tivesse conduzido de forma técnica, nada disso teria acontecido. A honra é como um travesseiro de plumas: quando se rasga, as plumas voam e não se consegue mais juntar”.
Por fim, o vereador revelou que, para evitar a depressão durante o afastamento, trabalhou como garçom em uma peixaria da cidade.
O retorno
Os vereadores Chico 2000 e Sargento Joelson foram autorizados pela justiça a reassumirem os mandatos no Parlamento Municipal. O socialista foi beneficiado com um habeas corpus, o qual se estendeu para o ex-presidente no início desta semana.
A Câmara de Cuiabá sobre a decisão na tarde dessa quarta-feira (03), e eles retornaram oficialmente ao cargo na manhã desta quinta-feira, durante a sessão ordinária da Casa de Leis.
Eles foram afastados das atividades parlamentares no âmbito da Operação Perfídia por suposto envolvimento em um esquema de corrupção.
A operação
A operação, realizada em abril deste ano, foi conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) e cumpriu 27 ordens judiciais, incluindo buscas e apreensões em gabinetes parlamentares, sequestro de bens e imóveis, além da quebra de sigilo telefônico e eletrônico de cinco investigados.
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