Deam indicia Marquinhos e envia inquérito sobre crimes sexuais ao Fórum esta semana

Mais de 30 pessoas foram ouvidas ao longo dos 3 meses de apuração; além de buscas e apreensões e até a prisão de um ex-funcionário da prefeitura

O inquérito sobre crimes contra a dignidade sexual atribuídos ao ex-prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad (PSD) está para ser concluído, para ser encaminhado ao Fórum de Justiça, onde vai ser decidido se o político é ou não culpado. O último ato foi o depoimento do investigado, tomado nesta terça-feira (18).

Marquinhos Trad na saída da Deam após depoimento (Foto: David Melo)
Marquinhos Trad na saída da Deam após depoimento (Foto: David Melo)

Em três meses de apuração, a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) ouviu mais de 30 pessoas e diz ter descoberto até um esquema de coação de denunciantes.

À frente do caso, a delegada Maira Pacheco Machado, fala pouco sobre as conclusões, sob alegação de que toda a investigação está em sigilo.

“Entre hoje e amanhã vamos enviar o inquérito para a justiça. Aí, cabe ao Ministério Público Estadual decidir se o investigado será denunciado”, afirmou ao Primeira Página.

“Se sim, novos depoimentos sobre o caso serão realizados, só que desta vez, ao juiz do caso”, completou a autoridade policial.

Cronologia

Marquinhos passou a ser investigado em julho ano, quando quatro mulheres procuraram a polícia, conforme foi divulgado. A intenção delas foi relatar situações em que dizem ter sofrido abusos por parte do político.

Os assédios, conforme os depoimentos, aconteceram durante todo o tempo em que o político exerceu cargos públicos: vereador, deputado e, por fim, prefeito.

Inicialmente, 16 mulheres procuraram a polícia para denunciar Marquinhos, depois que um número exclusivo para isso foi divulgado. Determinações judiciais “inocentaram” o ex-prefeito em parte dos casos, seja por prescrição seja por não ter sido identificado crime a ser punido.

“No processo, essas mulheres não são vítimas, mas foram ouvidas na condição de testemunhas”, informou a delegada.

Maira Machado não detalhou o número de indiciamentos nem as tipificações da lei penal. O Primeira Página apurou que sobreviveram as denuncias quanto a 3 mulheres

Coação

Nas buscas por provas de que Marquinhos cometeu os crimes, equipes da delegacia especializada chegaram a cumprir mandados de busca e apreensão no Paço Municipal, em agosto. Isso porque algumas das mulheres que denunciaram o ex-prefeito revelaram encontros íntimos dentro do gabinete dele, no segundo andar do prédio na avenida Afonso Pena.

A Deam também identificou tentativas de coação aos possíveis vítimas por parte de assessores de Marquinhos. Uma investigação paralela foi aberta e nela, Victor Hugo Nogueira Ribeiro da Silva, de 36 anos, foi preso.

Ex-servidor da prefeitura, Victor foi acusado de tentar intimidar vítimas de Marquinhos. No dia de sua prisão, os policiais ainda foram em alguns endereços para cumprir busca e apreensão, um deles era uma casa de prostituição no bairro Vilas Boas.

Essa apuração, diferente do respondido por Marquinhos, já está nas mãos da justiça.

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Defesa

Marquinhos sempre negou ter cometidos crimes. Admite casos extraconjugais e diz ter sido perdoado pela família.

Sobre o inquérito, o ex-prefeito afirmou ontem após o depoimento que será provada sua inocência.

“Uma das maiores armações políticas e institucionais e estatais que esse estado já viu. E infelizmente refletiu nas urnas e o tempo vai mostrar que foi uma verdadeira crueldade. Logo, logo vocês vão ficar sabendo”, afirmou Marquinhos à imprensa, logo após deixar a delegacia.

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