Decreto regulamenta restrições de uso para proteger o Pantanal em MS

A lei foi sancionada em 19 de dezembro, mas só entrou em vigor agora. Ela veda o cultivo de soja, cana-de-açúcar e eucalipto no bioma

Em vigor desde o fim de semana, a Lei do Pantanal de Mato Grosso do Sul recebeu regulamentação nesta segunda-feira (19). Isso porque partes importantes da nova legislação ainda precisavam ser detalhadas, entre elas as regras para o licenciamento do “uso restrito da planície pantaneira”, conhecida como AUR-Pantanal.

? Ouça abaixo reportagem da Morena FM:

A lei foi sancionada em 19 de dezembro pelo governador Eduardo Riedel (PSDB), mas só entrou em vigor agora. Ela veda o cultivo de soja, cana-de-açúcar, eucalipto e quaisquer outras “culturas exóticas ao meio”.

Para áreas onde o plantio já é consolidado, o replantio pode acontecer. É justamente nesse sentido que o decreto atua.

pantanal Bruno Rezende
Pantanal em Mato Grosso do Sul (Foto: Bruno Rezende/Governo de MS)

O decreto de regulamentação está dividido em dois capítulos. O primeiro com cinco seções: disposições gerais, limites geográficos dos biomas e seus efeitos, licenciamento ambiental, do uso do fogo e cadastro ambiental rural.

Ao longo das cinco seções, o documento específica o que deve ser feito em caso de sobreposição do Bioma Pantanal e Mata Atlântica; com as áreas que estão incluídas e excluídas na AUR-Pantanal, para as quais é necessário licenciamento ambiental, ante à possibilidade de corte de vegetação nativa, incluindo a limpeza e a manutenção das pastagens e o uso do fogo para isso.

Um dos principais pontos é sobre o licenciamento, que segundo o decreto, além de normatização do poder executivo e da política do meio ambiente, deve seguir algumas regras. São elas:

  • ter um termo de referência para Estudo de Impacto Ambiental e também Relatório de Impacto Ambiental, emitido caso a caso, após vistoria técnica
  • a autorização de corte da vegetação para uso alternativo do solo de até 40% do imóvel é limitada a, no máximo, 40% das áreas de cordilheiras ou parcelas laterais dos corredores de biodiversidade (resguardada a largura mínima de 500 metros) ou de capão com área inferior a 3 hectares.

Também é obrigatório o licenciamento ambiental para a atividade agrícola comercial em áreas consolidadas, ou seja, que estão em uso desde 2008.

Há exceções: áreas de assentamento, agricultura de subsistência ou cultivos sem fins comerciais, inclusive as usadas para produção de alimento de criação de animais, desde que o terreno tenha até dez hectares de área cultivada.

O decreto também dispensa o licenciamento para limpeza de pastagem cultivada e para manutenção de pastagens nativas, em caso a “espécies invasoras ou monodominantes” não ultrapassem a 32 cm de altura.

Quanto ao corte de árvores nativas isoladas, só pode ocorrer se estiver em área já convertida para “uso alternativo do solo” e é proibida em área de campo nativo.

O uso do fogo também é permitido, mas apenas quando licenciado como queima controlada, queima prescrita, isoladamente ou quando integrar o projeto de Manejo Integrado do Fogo. Tudo definido por lei e normas técnicas do Corpo de Bombeiros.

Todas as regras para o licenciamento e também a definição dos corredores ecológicos, serão registrados no Manual de Licenciamento Ambiental e em mapa específico no sistema de informação geográfica do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul).

No segundo capítulo, disposições transitórias e finais, o documento assinado pelo Eduardo Riedel (PSDB) ainda regulamenta como deve ser feita a recuperação de áreas desmatadas.

Quando isso ocorrer, consta, a recuperação deve ser feita com o mesmo tipo de vegetação que exista na área antes do crime ambiental; o decreto ainda determina que os proprietários que agora possuem propriedade dentro do AUR-Pantanal terão 180 dias para fazer os ajustes necessários conforme a nova lei.

Segundo o governo do estado, nas próximas semanas deve ser publicada uma resolução regulamentando outros trechos da lei e também portarias para normatizar os procedimentos de atuação do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) conforme as mudanças na legislação.

Confira os detalhes abaixo no decreto:

FALE COM O PP

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso do Sul, mande uma mensagem pelo WhatsApp. Curta o nosso Facebook e nos siga no Instagram.

Leia também em Política!

  1. abilio brunini

    Abilio viaja aos EUA e vice não assume Prefeitura de Cuiabá

    Abilio Brunini viaja aos EUA por três dias com recursos próprios; vice...

  2. MPMS investiga nepotismo e pede exoneração de servidoras em prefeitura

    O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) abriu um inquérito...

  3. Nilson Leitão critica STF por 'excesso de poder' e defende mandato para ministros

    O presidente do Progressistas (PP) em Mato Grosso, Nilson Leitão, afirmou que...

  4. 'Ataques brutais': secretária de Sinop afirma ser alvo de violência política de gênero

    Em grupos de rede social, homens compartilharam áudios com teor sexual e...

  5. Retrato de cena de violência. (Foto: Unsplash)

    MS cria lista pública com nomes de condenados por violência doméstica

    Mato Grosso do Sul terá um cadastro de pessoas condenadas por violência...

  6. Dr. Sandro Benites durante sessão da Câmara Municipal de Campo Grande (Foto: Izaias Medeiros/Câmara CGMS)

    Diretor-presidente da Funesp deixa cargo após denúncia de violência doméstica

    Após ser acusado de violência doméstica, o diretor-presidente da Fundação Municipal de...