Emanuel Pinheiro fazia reuniões em escritório de casa para definir contratos irregulares

O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), alvo da Operação Capistrum, deflagrada pelo Ministério Público e Polícia Civil nesta terça-feira (19), teria atuado pessoalmente no esquema de contratação de servidores temporários para o antigo Pronto Socorro. O hospital chegou a comportar 259 pessoas indicadas pelo prefeito e por sua esposa, Márcia Kuhn Pinheiro. De acordo […]

O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), alvo da Operação Capistrum, deflagrada pelo Ministério Público e Polícia Civil nesta terça-feira (19), teria atuado pessoalmente no esquema de contratação de servidores temporários para o antigo Pronto Socorro.

O hospital chegou a comportar 259 pessoas indicadas pelo prefeito e por sua esposa, Márcia Kuhn Pinheiro.

De acordo com depoimentos do ex-secretário municipal de Saúde, Huark Douglas Duarte, Pinheiro usava um escritório ao lado da sua residência, no bairro Jardim das Américas, para fazer as reuniões, fora do horário de expediente, que definiam as contratações.

Prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro
Prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, é afastado do cargo. Foto: Assessoria.

Segundo ele, o prefeito cobrava para que os nomes indicados por vereadores da Câmara Municipal de Cuiabá fossem rapidamente inseridos na folha de pagamento da Secretaria Municipal de Saúde, sem demonstrar preocupação com a escolaridade, profissionalização dos indicados, demanda de trabalho e nem a falta de espaço físico para comportar o pessoal.

“(…) o acordante participou de diversas reuniões com Emanuel Pinheiro e outros secretários municipais, cujos encontros tinham o costume de ocorrer em um escritório localizado ao lado da residência do Prefeito; e, que em uma dessas reuniões, o acordante sugeriu a Emanuel Pinheiro o corte de contratados na pasta da Saúde, por entender que havia número excessivo, principalmente na área meio, contudo teve como resposta o fato de que aquelas contratações seriam o tal “canhão político” que seria utilizado para manter a base de apoio do alcaide na Câmara Municipal”, diz trecho da decisão ao qual a reportagem teve acesso.

Os secretários citados por Huark são o adjunto da pasta da Saúde, Flávio Taques, e o secretário de Finanças, Antonio Roberto Possas de Carvalho, que não foram alvo da operação nesse primeiro momento.

Foram denunciados pelo MP Emanuel Pinheiro, a primeira-dama Márcia Kuhn Pinheiro, o chefe de gabinete Antônio Monreal Neto, a secretária-adjunta de Governo e Assuntos Estratégicos Ivone de Souza e o ex-coordenador de Gestão de Pessoas Ricardo Aparecido Ribeiro.

Envolvidos

Os cinco denunciados são investigados pelos crimes de organização criminosa, obstrução de justiça e prevaricação.

Foram determinados o afastamento do cargo de Emanuel Pinheiro, Ivone e Antonio; sequestro de bens e busca e apreensão de todos os cinco envolvidos, e a prisão temporária do chefe de gabinete, Antônio Monreal Neto.

No pedido do MP, o vereador Marcrean Santos (PP) é o único que tem o nome citado, apesar de não ser o único que tinha poder de indicar pessoas desqualificadas para cargos públicos.

Ele teria indicado Bianca Scaravonatto – que trabalhou na Secretaria de Saúde no período de 21 de maio de 2018 a 31 de dezembro de 2018.

Ex-secretário Huark Correia
Ex-secretário de Saúde de Cuiabá, Huark Douglas Correia, delatou suposto esquema na prefeitura. Foto: Divulgação

“(…) segundo a qual foi contratada por indicação do Vereador Marcrean. E, conquanto não tivesse formação na área, foi contratada para o cargo de Agente Operacional e exercia suas funções como atendente de farmácia em um Posto de Saúde”, diz outro trecho do documento.

A decisão do desembargador Luiz Ferreira da Silva, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, considera que a folha de pagamento de pessoal da Secretaria de Saúde de Cuiabá era uma das maiores despesas da Prefeitura de Cuiabá, chegando ter em média 5,4 mil.

Huark afirmou ainda que a secretária-adjunta de Governo, Ivone de Souza, era a pessoa responsável pelas contratações, e que muitas pessoas contratadas não tinham formação na área da saúde, isso sem contar que vários servidores qualificados eram substituídos por pessoas sem qualificação.

Emanuel Pinheiro

Emanuel responde ainda ao fato de não ter cumprido um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) proposto pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado), que previa a realização de concurso público.

Em nota oficial, o prefeito anunciou que irá recorrer de medidas judiciais por contratação de 259 servidores.

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