Geraldo Resende chama de "nazistas e fascistas" pessoas contrárias ao passaporte da vacina e sai escoltado de audiência
A audiência pública realizada na Câmara Municipal na tarde desta segunda-feira (27), em Campo Grande, terminou em tumulto. O secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, teve de sair escoltado da Casa de Leis depois de chamar de “nazistas e fascistas” as pessoas contrárias ao projeto do “passaporte da vacina”.
Idealizada pela vereadora Camila Jara (PT), a audiência queria justamente ouvir os lados favoráveis e contrários ao projeto que está em discussão também na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

Ao discursar no microfone, Geraldo Resende disse que muitos dos que gritavam ali por liberdade são os mesmos que “vão as ruas pedir intervenção militar, pedir para fechar o Congresso Nacional, pedir para fechar o STF. Que liberdade é essa? Quando querem derrotar os instrumentos da democracia, construídos por todos nós da minha geração. Não tenham medo de debate, aliás esse debate aonde vocês querem estabelecer, eu estarei lá para poder dizer a vocês: nazistas e fascistas da atualidade”, declarou Geraldo Resende.
Mais de 100 pessoas ocupam o plenário da Câmara. Depois da fala de Geraldo Resende, um dos últimos a discursar, a audiência teve de ser encerrada pela Guarda Civil Metropolitana, acionada para conter os ânimos do público.
O secretário estadual de Saúde teve de sair escoltado da Câmara Municipal.
Contra
Representando a Acicg (Associação Comercial e Industrial de Campo Grande), a empresária Juliana Aranda opinou pelo “direito à liberdade”.
“Nós da associação comercial somos contra, isso fere os princípios constitucionais, cada um tem direito à liberdade e a sua escolha. Nós estamos aqui para representar as empresas”.
Projetos
A audiência pública buscava medir se a população é favorável ou contrária à solicitação do comprovante de vacinação contra a covid para os moradores acessarem alguns locais, sejam públicos ou privados.
Em Campo Grande, tramitam dois projetos que defendem o “passaporte da vacina”. Um deles sugere, por exemplo, que o passaporte seja cobrado em escolas, creches, eventos públicos ou particulares, culturais e esportivos. Essa matéria teve um parecer pela não tramitação, sob argumento de que a iniciativa é exclusiva da prefeitura.
A exigência do passaporte também é discutida na Assembleia Legislativa. Algumas cidades do país já adotaram o “passaporte da vacina”, entre elas: Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, mas cada uma com regras diferentes.

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