Política de Primeira – MT

Mato Grosso: nos bastidores do poder. A notícia de forma leve e descontraída.

Por Francisca Medeiros

Governo de MT abre processos contra bancos por irregularidades em consignados

As portarias se baseiam em análise técnica produzida no âmbito do sistema Revisa Consignações, elaborada pela força-tarefa interinstitucional com participação da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão e da Controladoria-Geral do Estado de Mato Grosso.

O Governo de Mato Grosso determinou a abertura de uma nova frente de investigação sobre o sistema de consignações em folha de pagamento e instaurou processos administrativos contra bancos e empresas que operam cartão de crédito consignado e cartão de benefício para servidores estaduais. As medidas constam das Portarias nº 08 a 018/2026, publicadas no Diário Oficial desta quarta-feira (21), e foram assinadas pelo secretário de Estado de Planejamento e Gestão, Basílio Bezerra Guimarães dos Santos.

Os atos determinam a apuração de possíveis violações graves às normas que regem convênios e operações de consignação, além de dispositivos da Lei nº 14.133/2021 e regras estaduais específicas. As investigações garantem o direito ao contraditório e à ampla defesa às instituições envolvidas.

Governo abre 40 vagas com salário de R$ 18,5 mil para reforçar área de tecnologia. - Foto: Secom-MT.
Governo mira bancos e empresas por descontos irregulares em consignados. – Foto: Secom-MT.

Indícios de falhas e vícios informacionais

As portarias se baseiam em análise técnica produzida no âmbito do sistema Revisa Consignações, elaborada pela força-tarefa interinstitucional com participação da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão e da Controladoria-Geral do Estado de Mato Grosso. O relatório apontou déficits informacionais relevantes em operações classificadas como cartões consignados.

Entre os problemas identificados estão divergências entre a modalidade efetivamente contratada e a registrada no sistema, incertezas sobre a natureza jurídica das operações, falhas nos critérios de amortização, incidência de encargos sem transparência e dúvidas sobre o real comprometimento da margem consignável dos servidores. Também foram citadas ausência de comprovação de entrega ou ativação de cartões e indisponibilidade de faturas mensais, consideradas essenciais para o controle dos descontos.

Leia também – MT suspende cartões consignados e bloqueia descontos do Banco Master e mais 10

Instituições investigadas

As apurações foram abertas contra as seguintes instituições e empresas, cada uma vinculada a portaria específica:

  • Banco Agibank S.A.
  • Banco BMG S.A.
  • Banco Daycoval S.A.
  • Banco Master
  • Banco Pine S.A.
  • Banco Santander Brasil S.A.
  • Eagle Sociedade de Crédito Direto S.A.
  • Meucashcard Serviços Tecnológicos e Financeiros Ltda.
  • Neo Instituição de Pagamento Ltda.
  • Pix Card Serviços Tecnológicos e Financeiros Ltda.
  • Taormina Soluções Financeiras

Os atos citam, como exemplos de condutas sob investigação, descontos incompatíveis com contratos ou autorizações, ausência de faturas, falta de contratos de adesão e opacidade sobre valores cobrados. Em um dos casos analisados, a Seplag aponta que a maioria dos contratos amostrados apresentaria discrepâncias entre os valores descontados e os previstos, além de indícios de que a operação registrada não corresponderia, de fato, a cartão consignado.

Comissões e prazos

Cada portaria institui comissões específicas para conduzir as apurações, geralmente compostas por dois servidores. O prazo inicial para conclusão dos trabalhos é de 60 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período. Entre os nomes designados para presidir ou integrar as comissões estão Adriana Ramos Fernandes Infantino, Joziene Andrea Aires, Heitor Corrêa da Rocha e João Antônio de Figueiredo Rocha e Silva.

Leia também – STF derruba decreto da Assembleia de MT que suspendia cobrança de consignados

Revisão do sistema

As medidas integram o trabalho da força-tarefa criada para revisar e aprimorar o sistema de consignações do Estado. Conforme os atos, o objetivo é corrigir falhas, aumentar a transparência e, se confirmadas irregularidades, aplicar sanções administrativas e subsidiar outras formas de responsabilização.

Com a abertura formal dos processos, as instituições passam a responder no âmbito administrativo do Executivo estadual, etapa que pode desdobrar-se em novas providências conforme o resultado das investigações.

Leia mais

  1. PEC reconhece dívida da RGA com servidores desde 2017 em Mato Grosso

  2. Justiça mantém bloqueio de consignados em MT

  3. Bancos ignoram decreto e descontam consignados de servidores de MT

FALE COM O PP

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso, clique aqui. Curta o nosso Facebook e siga a gente no Instagram.

Leia também em Política!

  1. Flanelinhas em Cuiabá: projeto prevê crachá e proíbe bloqueio de vagas públicas

    Projeto em Cuiabá regulamenta flanelinhas e cria canal para denúncias anônimas contra...

  2. Mendes viaja à Guiana no feriadão de Carnaval para tratar de exportações

    Durante o feriado de Carnaval, o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes...

  3. Suplente de Abilio na Câmara, Zaeli aborda anistia a Bolsonaro e disputa eleitoral em 2026

    O deputado federal Rodrigo da Zaeli (PL) foi o convidado do podcast...

  4. O vice-governador Otaviano Pivetta assumiu temporariamente, neste domingo (21), o comando do Governo de Mato Grosso.

    Pivetta assume governo de MT durante folga de Mendes no Carnaval

    Esta é a 18ª vez que assume o Governo de Mato Grosso,...

  5. Prefeita exonera mais de 20 servidores em Várzea Grande

    Prefeita de Várzea Grande exonera 22 servidores, maioria comissionados, e promove mudanças...