Prefeita classifica greve dos ônibus como ilegal e culpa Consórcio
Adriane Lopes (PP) afirmou em coletiva que Consórcio Guaicurus é responsável por crise
Após dois dias de greve no transporte coletivo de Campo Grande, a prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou, em coletiva realizada na tarde desta terça-feira (16), que a paralisação é ilegal. Na ocasião, a chefe do Executivo municipal também isentou a Prefeitura de débitos com o Consórcio Guaicurus e atribuiu à empresa a responsabilidade pela crise, alegando má gestão.

A greve dos motoristas entrou no segundo dia nesta terça-feira, ultrapassando 36 horas sem operação regular do sistema.
Também nesta terça (16), o Consórcio Guaicurus divulgou nota contestando as declarações da Prefeitura sobre a situação financeira do contrato. A empresa afirma aguardar esclarecimentos e pagamentos relacionados ao chamado déficit tarifário.
Diante das acusações, a prefeita reiterou que o município está em dia com todas as obrigações financeiras previstas em contrato.
“Eu acredito que a má gestão da empresa, do seu diretor e da sua equipe técnica, é o que está ocasionando a falta de pagamento aos setores. Em relação aos repasses, não é o poder público municipal que sustenta a empresa. É a população de Campo Grande que paga a passagem para ir e vir e trabalhar. Cadê o dinheiro que a população paga?”, declarou Adriane.
O secretário municipal de Governo, Ulysses Rocha, reforçou que todos os repasses contratuais do município ao Consórcio foram realizados.
Segundo o secretário, o Consórcio discute judicialmente um pedido de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato, solicitando aumento da chamada tarifa técnica.
“Eles apontam uma distorção de X milhões de reais, que está sendo apurada e discutida judicialmente. A reivindicação é que o município aumente o valor da tarifa técnica para que a empresa receba mais recursos. Essa é a discussão em curso”, explicou.
De acordo com Adriane Lopes, o município realiza anualmente o repasse referente às gratuidades, que incluem estudantes da rede pública municipal, pessoas com deficiência (PCDs) e idosos.
Além disso, a Prefeitura também custeia o vale-transporte dos servidores municipais, com repasses realizados regularmente.
A prefeita apresentou uma relação de pagamentos que indica que, de janeiro a dezembro de 2025, foram transferidos R$ 16,2 milhões referentes ao vale-transporte dos servidores. Até o dia 12 de dezembro, também foram repassados R$ 26,2 milhões destinados às gratuidades.
“Nós estamos falando de má gestão diante de uma greve causada pela paralisação de pagamentos que são de responsabilidade da empresa. Se o município está rigorosamente em dia com os repasses, a empresa também deveria estar rigorosamente em dia com o pagamento dos seus funcionários”, concluiu.
Justiça do Trabalho
Ainda nesta terça-feira (16), está prevista uma audiência de conciliação às 15h45, na Justiça do Trabalho, para tratar do impasse. O desembargador Cesar Palumbo Fernandes publicou nova decisão determinando multa de R$ 100 mil por dia em caso de manutenção da paralisação.
A Justiça já havia concedido liminar determinando que 70% dos trabalhadores retornassem às atividades, enquanto 30% poderiam permanecer em greve, a fim de garantir a circulação mínima do transporte público na Capital.





