Presidente da Câmara de VG pede desculpas após expor saúde de secretária

Cerqueira mencionou tratamento de Paola Carlini ao cobrar explicações sobre contrato de R$ 1,5 milhão e depois divulgou nota de retratação.

O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), divulgou nota, nesta quinta-feira (26), se retratando após expor o tratamento de saúde da atual secretária municipal de Comunicação, Paola Carlini. A manifestação veio após declarações feitas pelo parlamentar durante sessão plenária, realizada na última terça-feira (24).

Na tribuna, ao questionar um contrato de R$ 1,5 milhão da Secretaria de Comunicação, Cerqueira afirmou que convocaria a gestora para prestar esclarecimentos. O aviso da convocação surgiu junto com a menção de que Paola está passando por um tratamento de saúde. 

“Paola, nós vamos convocar aqui para dar uma explicação sobre R$ 1,5 milhão que foi destinado a uma empresa, fui lá ver e é uma pescaria. Você será convocada aqui. Sei que a senhora está doente, mas a senhora é gestora da pasta e tem que explicar quanto destinou à empresa cuja fachada não condiz com a verdade”, disse o vereador.

Veja vídeo:

A fala polêmica foi feita durante sessão ordinária da Câmara Municipal de VG. – Foto: Reprodução

Em outro trecho, o vereador mencionou o tratamento oncológico da secretária: “Nós vamos convocar você [Paola] aqui… Sei que a senhora está doente, enfrentando um câncer, mas infelizmente é gestora da pasta. Vai ter que vir aqui dar explicações”.

Após a repercussão negativa da fala do parlamentar, a assessoria de Cerqueira informou que a menção ao tratamento de saúde não teve caráter pejorativo e que o parlamentar tomou conhecimento posteriormente de que o acompanhamento médico não era público. Na mesma nota, o presidente da Câmara declarou que se retrata de qualquer interpretação considerada ofensiva.

O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) chegou a divulgar nota oficial de protesto e solidariedade à jornalista. Na avaliação do sindicato, a fala do parlamentar foi desnecessária. 

A entidade afirma que a associação entre o tratamento de saúde da profissional e questionamentos administrativos configura uma “retórica incompreensível”. O Sindjor-MT também afirmou que a empresa citada pelo vereador, a LOGUS Propaganda Ltda., possui sede formal em Cuiabá e participação em processo licitatório da Prefeitura de Várzea Grande. 

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