Promotor reclama ao bispo de padre que rezou por presos em Brasília

“Eu rezo, com uma certa apreensão no meu coração, pelas pessoas que estão detidas lá em Brasília. Todos que cometeram atrocidades de vandalismo devem pagar, é crime depredar patrimônio público. Mas, nem todos que foram presos têm culpa, é uma injustiça!”.  

A fala acima foi proferida durante missa, na noite do último domingo (22), na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, a Catedral de Dourados, a 201 km de Campo Grande, e dividiu opiniões de quem estava na plateia. (Assista acima). Inclusive, o comentário feito pelo padre Leão Pedro, que presidia a celebração, chegou a motivar pedidos de fiéis para que a igreja avalie o comportamento do sacerdote. 

Logo no início da missa, antes mesmo da primeira reza, o padre explicou o motivo do posicionamento. “Uma ex-paroquiana minha, catequista, gente que estudou durante anos, está por lá. Pelo que me consta no julgamento, não deram absolvição. Rezo e coloco no coração de Deus, também tantas outras injustiças que vão acontecendo”, declarou.  

O promotor de justiça João Linhares, por exemplo, chegou a questionar o comportamento e a enviar nota cobrando explicações ao bispo Henrique Aparecido de Lima.  

“O conspícuo sacerdote que a celebrava politizou ostensiva e desnecessariamente o ato religioso, tecendo comentários absolutamente irrelevantes, impertinentes e alguns dos quais inverídicos, adotando, por conseguinte, conduta incompatível com as normas da Santa Igreja Católica e malferindo o pundonor e o decoro que deveria observar”, escreveu o promotor.  

“Não entendo o motivo dele abordar política partidária dentro da Igreja, fomentar, mormente neste momento tão polarizado, ainda mais cizânia entre os cidadãos, questionar a confiabilidade, a lisura e a transparência das eleições, o papel do sistema de Justiça, mormente do Supremo Tribunal Federal”, pontuou.  

 A missa era transmitida pela internet e a paróquia estava lotada. Perante a situação, a reportagem questionou o bispo sobre as providências que serão tomadas e o representante afirmou que vai conversar com o padre envolvido, com o promotor e também com o setor jurídico da igreja. Somente após esses procedimentos é que a igreja deve publicar um posicionamento.  

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