Relatório final de CPI aponta sonegação de R$ 1,9 bilhão em MT

Esse percentual representa, que a cada R$ 100 de receita potencial do ICMS, R$ 15,07 são sonegados.

Mais de dois anos após a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito da Renúncia e Sonegação Fiscal, o relatório final da CPI foi aprovado pelos deputados estaduais na sessão dessa terça-feira (12). Conforme o documento, em 2018, ano analisado pelos parlamentares, R$ 1,9 bilhão foi sonegado em impostos em Mato Grosso.

dinheiro banco central
Agora o relatório será encaminhado para autoridades adotarem as providências apontadas no documento. (Foto: Willian Moreira)

De acordo com a justificativa do relatório final, dados da Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda) informam que a eficácia tributária – arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços, em 2018 – foi de 84,93%.

Esse percentual representa, que a “cada R$ 100 de receita potencial do ICMS, R$ 15,07 são sonegados. Em 2018, o Governo do Estado deixou de arrecadar cerca R$ 1,9 bilhão por conta da sonegação, que responde por aproximadamente 1,5% do PIB estadual”, diz trecho da justificativa do relatório.

Agora o relatório será encaminhado para autoridades adotarem as providências apontadas no documento, na medida de competência de cada órgão. O relatório final foi encaminhado para o Governo Federal, Governo do Estado de Mato Grosso, Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Tribunal de Contas de Mato Grosso; Ministério Público do Estado, Ministério Público Federal, à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal.

Leia mais

  1. Senadores de MT não assinam requerimento para criação da CPI do MEC

  2. Câmara analisa pedido de abertura de CPI para investigar qualidade da água em Cuiabá

  3. CPI da Covid: Bolsonaro e médico de MS estão entre 68 pedidos de indiciamento

  4. CPI da Sonegação: Antônio Galvan nega uso de recursos públicos pela Aprosoja

  5. CPI da Previdência entrega relatório final e aponta rombo de R$ 3 bilhões

Em nível nacional, em 2018, a sonegação fiscal deu um rombo de R$ 626,8 bilhões, cerca de 7,7 % do Produto Interno Bruto (PIB). Esse cálculo foi feito pelo Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz). 

A justificativa do relatório informa que, mantendo todos os parâmetros constantes, caso fosse possível eliminar a evasão tributária, a arrecadação tributária brasileira poderia se expandir em 23,1% ao ano e a carga tributária poderia ser reduzida em quase 30%, e ainda manter o nível de arrecadação.

De acordo com o relatório, a pesquisa do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) aponta que 27% das grandes empresas não estão em dia com os tributos, enquanto 49% das médias e 65% das pequenas também fazem parte deste cenário. 

Veja algumas das recomendações apontadas no relatório final: 

Setor Agronegócio  

“Tornar pública uma declaração periódica de custo/benefício dos incentivos fiscais;

Realizar acompanhamento e divulgação da informação sobre o impacto dos investimentos incentivados desde a perspectiva macroeconômica como microeconômica.”

Setor Combustíveis 

“Implantação da Delegacia de Combate aos Crimes de Sonegação e Fraudes nos Combustíveis;

Proposta de Projeto de Lei: Estabelecendo a obrigatoriedade de os postos revendedores disponibilizarem em lugar visível aos consumidores: nome do revendedor de combustível, a quantidade de postos o revendedor possui e a quais as outras marcas que está associado.”

Setor Frigoríficos 

“O entendimento mais razoável que sugerimos ser adotado por esta comissão é o de que não se mostra crível a mantença da alíquota base de ICMS, atualmente em 12%, maior para o consumidor final de proteína animal situado no Estado, em comparação com a cobrança a menor do mesmo tributo nas operações interestaduais. Ou seja, a lógica tributária da legislação estadual deve ser outra, é dizer, onerar mais a saída interestadual da carne bovina do que o consumo quando efetuado em solo mato-grossense, mantendo-se assim o equilíbrio fiscal.”

Setor Mineração 

“Recomendamos que se solicite um estudo à Bancada Federal de Mato Grosso na Câmara dos Deputados e Senado para alterar a regulamentação do IOF – Ouro de forma a garantir que seja obrigatoriamente direito do Município Minerador. Esta recomendação é importante pois detectamos que há uma perda de arrecadação do IOF – Ouro que, apesar da necessária declaração da origem do ouro, acaba sendo considerado como local gerador do imposto a sede CNPJ da DTVM que realiza a primeira aquisição.

Conforme apresentado nos relatórios que subsidiaram a CPI, os estados de Minas Gerais, Pará, Amapá e Mato Grosso do Sul têm leis estaduais que regulamentam a fiscalização da mineração pelos órgãos estaduais. Esta fiscalização é compartilhada com a União e os municípios, conforme prevê a Constituição Federal.

Outro ponto das leis em comum é a criação do CERM – Cadastro Estadual de Controle, Acompanhamento e Atividades de Pesquisa, Lavra, Extração, Transporte e de Aproveitamento Recursos Minerários. Assim todos os órgãos de fiscalização ambiental e fiscal passam a ter acesso a uma base comum dados o que agiliza os processos de fiscalização.”

FALE COM O PP

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso, clique aqui. Curta o nosso Facebook e siga a gente no Instagram.

Leia também em Política!

  1. Taxa do lixo no IPTU 2026 foi pauta única da sessão extraordinária da Câmara Municipal de Campo Grande (Foto: Rafaela Moreira)

    IPTU 2026: Câmara aprova suspensão do aumento da taxa do lixo

    Reajuste da taxa do lixo impactou diretamente no valor do carnê do...

  2. Mãe de Dante de Oliveira morre aos 104 anos

    Mãe de Dante de Oliveira morre aos 104 anos

    Morreu nesta segunda-feira (12), aos 104 anos, Maria Benedita Martins de Oliveira,...

  3. Brasil faz doação de material militar para Uruguai e Paraguai

    Brasil faz doação de material militar para Uruguai e Paraguai

    O governo federal publicou, no Diário Oficial da União desta segunda-feira (12),...

  4. Deputado de MT posta foto de Bolsonaro na prisão e pede domiciliar humanitária

    Deputado de MT posta foto de Bolsonaro na prisão

    No Instagram, o deputado federal José Medeiros postou uma foto de Jair...

  5. 'Você me chamou de fantasma': Reunião sobre aumento do ISS termina com discussão entre Abilio e Buzetti

    Prefeito Abilio Brunini e a suplente de senadora Margareth Buzetti discutiram durante...