“Tenho que me considerar de esquerda”, diz Simone Tebet sobre taxação dos mais ricos

Para a ministra, é preciso equilibrar a cobrança de imposto daqueles que ganham acima dos R$ 50 mil

Durante discurso sobre o PLDO (Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias) para 2026, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), afirmou a necessidade de cobrar mais impostos daqueles que ganham mais de R% 50 mil no país.

Vídeo: TV Senado

Na fala, Simone ressaltou que nos últimos 10 anos, o Congresso “mexeu muito com o andar de baixo”, se referindo à classe mais pobre.

“Nunca se conseguiu mexer com o andar de cima, a qual eu pertenço, muitos de nós pertencemos. Se nós olharmos todos os servidores dessa casa, dificilmente alguém paga menos de 22% de imposto na sua renda. Não precisa de muito dinheiro para pagar 22% de tudo que se ganha. Basta alguém ganhar R$ 4 mil por mês ou um pouco mais que isso líquido, para ter descontado”, afirmou. 

Em seguida, Tebet frisou não ser justo que aqueles que ganham R$ 50 ou R$ 60 mil de renda, não pague pelo menos 10% de imposto.


“Nós não vamos mexer com quem pague 11%. No agro, por exemplo, muitos dos contratos de arrendamento pagam pelo menos 11%, ninguém vai mexer com isso. Nós estamos dizendo para aqueles que não pagam, ou pagam 3 ou 4%, possam pagar pelo menos 10%”, pontuou.

Após defender a taxação, a ministra afirmou que a medida se trata de justiça tributária e que isso vai garantir à população igualdade de tratamento. 

“Se isso for discurso de esquerda, eu, que nunca fui de esquerda, tenho que me considerar de esquerda. Porque não é possível que a gente entenda isso como algo que fira a suscetibilidade de quem quer que seja, isso se chama justiça tributária. Significa que aquele que ganha R$ 4 mil, que vai ter descontado em 22%, não vai ficar num grau de desnível tão grande com aquele que ganha R$ 100 mil”, defendeu. 

Simone Tebet
Fala aconteceu durante sessão no Congresso Nacional, nesta terça-feira (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

Tributação dos super-ricos

Enviada pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao Congresso Nacional, em março deste ano, a proposta prevê uma tributação mínima de 10% para as pessoas que possuem alta renda, chamados de “super-ricos”. 

Como vai funcionar a tributação:

  • Executivo (Renda anual: R$ 650 mil) – Tributação mínima: 0,83%
  • Investidora (Renda anual: R$ 780 mil) – Tributação mínima: 3%
  • Empresário (Renda anual: R$ 850 mil) – Tributação mínima: 4,16%
  • Sócio (Renda anual: R$ 985 mil) – Tributação mínima: 6,42%
  • Proprietária (Renda anual: R$ 1,25 milhão) – Tributação mínima: 10%

Ainda de acordo com o governo, a taxação só seria aplicada para aqueles que não pagam o percentual mínimo atualmente. 

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Comentários (2)

  • Edson dos Santos Evangelista

    Cada vez mais Judas. Vamos abrir o olho povo comprado. Querem taxar que conquistou seu patrimônio honestamente e trabalhando e não sugando e roubando….

  • Edmar

    tem q taxar msm, mas tem que taxar TODOS eles. políticos, influencers famosos, latifundiários, etc.

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