Trump congela imigração de 19 países e suspende green cards e cidadanias

A medida, apresentada como resposta a preocupações de segurança nacional, atinge nações majoritariamente africanas, asiáticas e do Oriente Médio, entre elas Afeganistão, Somália, Irã, Haiti, Cuba e Venezuela.

O governo Donald Trump anunciou nesta terça-feira (2) uma nova e ampla suspensão de todos os pedidos de imigração, incluindo green card e cidadania, apresentados por imigrantes de 19 países considerados “de alto risco” pela Casa Branca. A medida, apresentada como resposta a preocupações de segurança nacional, atinge nações majoritariamente africanas, asiáticas e do Oriente Médio, entre elas Afeganistão, Somália, Irã, Haiti, Cuba e Venezuela.

A decisão paralisa processos já em andamento e determina que todos os solicitantes passem por uma reavaliação completa, com possibilidade de novas entrevistas, antes de qualquer retomada. Na prática, a medida congela a imigração legal desses países e reforça a guinada restritiva da administração Trump desde seu retorno ao poder em janeiro.

Governo Trump reduz alcance de tarifas e libera produtos como café e carne bovina. - Foto: reprodução.
Estados Unidos suspendem imigração legal de 19 países sob ordem de Trump. – Foto: reprodução.

Lista atinge países já afetados por proibições anteriores

A suspensão recai sobre os mesmos países que já haviam sido alvo de restrições severas ou parciais em junho, um dos pilares da política migratória de Trump. A lista inclui Afeganistão, Burundi, Chade, Cuba, Eritreia, Guiné Equatorial, Haiti, Iêmen, Irã, Laos, Líbia, Mianmar, República do Congo, Serra Leoa, Somália, Sudão, Togo, Turcomenistão e Venezuela.

Nos casos mais graves, como Afeganistão, Mianmar, Sudão, Irã, Líbia e Somália, a entrada de cidadãos já estava praticamente proibida. Agora, a suspensão se estende também aos processos internos — mesmo para quem já morava no país e aguardava apenas entrevistas ou cerimônias.

Ataque contra a Guarda Nacional foi usado como justificativa

O memorando que formaliza a nova política menciona o ataque ocorrido na semana passada em Washington, quando um homem de origem afegã foi preso após matar um membro da Guarda Nacional e ferir outro. O episódio foi usado como argumento central para endurecer a política migratória.

Nos últimos dias, Trump também acentuou o tom contra imigrantes somalis, chamando-os publicamente de “lixo” e afirmando que “não os queremos em nosso país”.

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Restrição agora mira também a imigração legal

Desde que reassumiu o cargo, Trump intensificou deportações, enviou forças federais a grandes cidades e barrou solicitantes de asilo na fronteira com o México. Agora, a postura se volta também para quem busca imigração legal, incluindo naturalização e residência permanente.

Organizações de direitos migratórios relatam cancelamentos de cerimônias de juramento, entrevistas de naturalização e procedimentos de ajuste de status. Segundo Sharvari Dalal-Dheini, diretora de relações governamentais da Associação Americana de Advogados de Imigração (AILA), há sinais de que a suspensão já está impactando milhares de famílias que aguardavam apenas etapas finais.

Medida acirra clima político e tensão diplomática

A Casa Branca atribui o novo endurecimento às falhas das políticas migratórias do ex-presidente Joe Biden, narrativa que Trump vem repetindo para justificar a ampliação do controle de fronteiras e da vigilância interna.

A medida, porém, deve agravar tensões com governos estrangeiros e aprofundar críticas de organizações humanitárias, que classificam a política como discriminatória, xenófoba e ineficaz para combater ameaças reais à segurança nacional.

O governo não informou prazo para revisão dos processos nem previsão para retomada das análises migratórias desses 19 países.

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